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Período Edo (1603-1868)
Tokugawa
Ieyasu, um dos mais inteligentes partidários de Nobunaga,
tornou-se o homem mais poderoso do Japão após a morte de
Hideyoshi em 1598. Quebrando suas próprias promessas,
virou-se contra o herdeiro de Hideyoshi, o jovem Hideyori,
para tornar-se o centro do poder do país.
Na batalha de Sekigahara, em 1600, Tokugawa Ieyasu derrota
os seguidores de Hideyori e alguns outros rivais,
conquistando assim o total controle do Japão. Em 1603 foi
nomeado pelo imperador o novo xogun, estabelecendo o seu
governo na crescente cidade Edo, atual Tóquio.
A sociedade foi por ele rigidamente dividida em quatro
classes: samurais, camponeses, artesãos e comerciantes. Aos
membros dessas classes, não era permitida a troca de status
social. O primitivo sistema de administração dos samurais
adquire notável desenvolvimento e eficiência, e marca o auge
do feudalismo japonês. Ieyasu distribui os feudos entre os
seus mais fiéis vassalos. Entretanto, os novos daimyo agora
passam a ser atrelados ao governo central. Esse novo sistema
manteve o poder nas mãos dos Tokugawa por mais de 250 anos,
em um período bem mais tranqüilo que os anteriores, que
ficou conhecido também por "A Idade da Paz Ininterrupta".
Após
a destruição do clã Toyotomi e a captura do castelo de Osaka
em 1615, Ieyasu e seus sucessores praticamente não tiveram
mais rivais. Assim, os samurais passaram a se dedicar não
somente ao treinamento marcial, mas também à filosofia,
literatura, caligrafia e cerimônia do chá. Nesta época de
paz destacou-se o samurai Miyamoto Musashi; um guerreiro de
grande disciplina e praticantes do Zen.
Em 1614, Ieyasu dá início a uma perseguição ao Cristianismo.
Isso porque o crescente avanço da religião Católica entre os
japoneses (inclusive daimyo) provoca no governo o temor de
que os convertidos passem a ameaçar a ordem. Somam-se a isso
a influência da Holanda protestante, que estabelecia
comércio com o Japão, e o conflito com as outras religiões
já existentes.
Em
1633 o governo exige que todos os japoneses renunciem ao
Cristianismo, e para isso proíbe a entrada de jesuítas e
navios portugueses no Japão, assim como a saída de japoneses
ao exterior. O xogunato passou a acreditar que as atividades
missionárias dos jesuítas dissimulavam uma conquista
política. Dessa forma, em 1639 a já iniciada política de
isolamento se completa: agora apenas o comércio com a
Holanda e a China é mantido, através do porto de Nagasaki,
que passa a ser o único contato do Japão com o mundo
exterior.
Apesar
do isolamento, o comércio e a agricultura não param de
crescer. Especialmente na era Genroku (1688-1703), em que a
cultura popular floresce. O desenvolvimento comercial fez
com que o poder econômico da classe mercantil ultrapassasse
até o da classe dos samurais. A partir daí surgiu o peculiar
teatro Kabuki, o mais popular do Japão, como forma de
protesto dos mercadores contra as classes dominantes.
Paralelamente ao surgimento dessa nova modalidade teatral, a
arte da pintura em madeira, conhecida por Ukiyo-e, também se
destaca nessa época.
Em 1760 o banimento da literatura estrangeira é revogado, e
diversos ensinamentos são importados da China e da Holanda.
Nessa época, os escolares passam a estudar ciências
ocidentais, tais como a medicina e a astronomia, em língua
holandesa. Na segunda metade do século XVIII, o xogunato
constatou que cada vez mais os seus rendimentos, baseados em
tributos sobre a produção do arroz, eram insuficientes para
cobrir todas as despesas. Para resolver esse problema o
governo aumentou os impostos sobre os camponeses, o que
provocou diversas rebeliões. Assim começou a surgir entre o
povo o desejo de um reforma política.
Quase simultaneamente, surgiam novas pressões externas pela
abertura do Japão ao mundo ocidental. Mais precisamente no
final do século XVIII, quando a Rússia tentou, sem sucesso,
estabelecer laços comerciais. Finalmente, em 1853, os
Estados Unidos forçam o governo Tokugawa a abrir um limitado
número de portos para o comércio internacional.
Devido a diversos fatores, dentro e fora do país, o xogunato
dos Tokugawa por fim reconheceu que a abertura do Japão era
inevitável; o seu adiamento só traria mais problemas. Com a
Revolução Industrial do Ocidente, apenas uma radical mudança
na política interna faria com que o país pudesse igualar-se
em poder aos ocidentais. Isso fez com que o Japão
estabelecesse tratados de amizade com os Estados Unidos e
outros países ocidentais, para logo começar a comerciar com
eles.
Nessa época surgiram em todo o país várias críticas ao
governo central, que supostamente se estaria rendendo à
força militar estrangeira. Apesar disso, na grande tensão
política em que o país se encontrava, o xogunato, os daimyo
e os samurais preferiram evitar uma nova guerra civil e
uniram-se sob a autoridade da corte imperial para assegurar
a ordem e a unificação do Estado.
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