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Xintoísmo
O
Xintoísmo (shinto, em japonês) pode ser definido como a
religião nativa do Japão. Sua origem confunde-se com a
pré-história japonesa, não sendo possível dizer uma data
precisa em que ele surgiu. Nasceu como um conjunto de
costumes e tradições, além de uma vasta mitologia para
explicar a natureza das coisas e a origem do mundo e do povo
japonês.
A crença fundamental do Xintoísmo baseia-se na
existência dos kami, que são as entidades divinas, espíritos
ou deuses; tal palavra não possui uma tradução precisa.
O mais importante kami do panteão Xintoísta é Amaterasu
Omikami, a deusa do sol. Segundo a mitologia nipônica, ela
seria a criadora do Japão, a Terra do Sol Nascente, e o
primeiro imperador do Japão, Jimmu Tenno, seria descendente
direto da deusa.
Para o Xintoísmo, todos os elementos naturais, sejam eles
animais, vegetais ou até mesmo minerais possuem seus kami.
Assim, os rios, as árvores, as rochas e os vulcões são
igualmente considerados manifestações divinas, ou kami.
Segunda essa concepção, tudo no universo teria se originado
da mesma fonte, coexistindo harmonicamente em uma relação de
total interdependência.
Uma das mais importantes características do Xintoísmo é
a purificação do corpo e da alma, realizada em diversos
rituais. Sendo o Todo regido por forças de pureza e impureza
e o ser humano sendo parte desse Todo, a purificação se faz
necessária sempre que se entra em contato com a impureza, o
que muitas vezes é inevitável. Segundo o Xintoísmo, aqueles
que ignoram tal preceito encontrarão apenas o sofrimento e
serão invariavelmente punidos pelos kami. Mas a estes sempre
seriam dadas novas chances; não existe a noção de "punição
eterna".
Tendo em vista que o ser humano e todos os outros elementos
naturais estão ligados por laços estreitos, então a
contemplação e o profundo respeito à natureza como forma de
purificação e amadurecimento espiritual constituem um dos
mais importantes princípios xintoístas. Dessa forma, assim
como o homem tem por direito usufruir a natureza para prover
o seu sustento e conforto, tem por dever preservá-la e
cultivá-la, em uma relação de completa simbiose.
Os santuários xintoístas são estruturas feitas em
madeira geralmente em lugares muito bonitos e de natureza
exuberante, e tem por função a realização de festivais e
rituais de purificação. Alguns deles são derrubados e
reconstruídos periodicamente, o que representa a
impermanência da vida. É fácil distinguir um santuário
xintoísta de um templo budista devido aos portões (torii)
que ficam na frente deles.
A crença na origem divina da linhagem imperial, abafada
durante alguns séculos, foi reafirmada no ano 1868, pelo
imperador Meiji. Nesse período o poder foi transferido dos
samurais para o imperador, que usou a crença xintoísta para
se firmar no governo e reavivar o sentimento nacionalista do
povo. O Xintoísmo foi separado dos demais cultos e
considerado oficialmente a religião do Estado. Após o
término da II Guerra Mundial, o imperador é obrigado pelos
americanos a renunciar sua origem divina.
O
Xintoísmo quase em nenhum momento entrou em conflito com o
Budismo, que chegou ao país no século VI. Foi nessa mesma
época que se deu o nome kami-no-michi (caminho dos deuses) a
esse conjunto tradicional de mitos e crenças apenas para
diferenciá-lo das novas concepções que chegavam do exterior.
Com o passar do tempo, contudo, a relação que era apenas de
aceitação mútua, passa a ter um caráter de complementaridade
e sincretismo entre as duas correntes filosóficas. Assim,
idéias budistas foram usadas para se explicar mitos
xintoístas, e muitos kami foram considerados Budas.
Como o exclusivismo religioso nunca foi bem aceito pelos
japoneses, é normal nos dias de hoje uma família praticar
rituais de passagem tanto xintoístas como budistas. Da
aproximação das duas religiões surgiram diversas seitas e
credos que se complementam, e constituem a essência do
Xintoísmo contemporâneo.
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