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O Zen
é a forma de Budismo mais conhecida e praticada no Japão.
Mais do que uma religião ou seita, o Zen é uma filosofia
vivencial que ainda hoje influência muito o povo japonês.
A filosofia do Zen consiste na procura da iluminação através
do autoconhecimento; uma busca que ultrapassa os obstáculos
mentais criados por nós mesmos a fim de encontrar a verdade
em seu estado puro. Trata-se de uma percepção
extra-sensorial das coisas, um ensinamento especial que não
envolve palavras; apenas chama a atenção para a verdadeira
essência do homem. O Zen é também a prática do o
autocontrole, da disciplina e da simplicidade no viver.
As raízes do Zen estão na China, onde foi trazido da Índia
por Bodhidharma no século VI. É uma variação do Budismo
tradicional tibetano. A diferença básica entre os dois, é
que a filosofia do Zen tenta reduzir ao mínimo as doutrinas
e o estudo das escrituras sagradas. Para os praticantes do
Zen, a palavra escrita é dispensável no caminho da
iluminação. Muito mais importante do que isso é o aprendiz
poder contar com o apoio direto de um mestre, que lhe
transmitirá o caminho para o despertar da consciência.
O
Zen é impossível de ser descrito em palavras. Muito mais do
que simples teoria, o Zen só é experimentado integralmente
através da prática, que faz o praticante vivenciar uma
experiência. Tal prática é feita através do za-zen, que é a
meditação Zen. Além do za-zen, os praticantes costumam
estudar também os koans, que são pequenas frases,
aparentemente sem sentido, mas que possuem grande
profundidade embutida.
A verdadeira análise do koan não deve
contar com o pensamento lógico; é uma análise meditativa e
intuitiva. Exemplo de koans típicos: "Qual é o som de uma
única mão que bate palmas?" "Qual a cara que você tinha
antes de nascer?"
O Ch'an - como ficou conhecido o Zen na China - foi trazido
para o Japão no século XII, pelo mestre Eisai (1141-1215).
Em 1184, Eisai construiu o primeiro templo Zen japonês,
chamado Shofuku-ji, que existe até hoje. Lá o Zen gozou de
grande popularidade entre a classe dos samurais, que já
dominava o poder. Principalmente entre os séculos XII e XIV,
em que o país atravessava o fogo das guerras civis, o Zen da
escola Rinzai foi incrivelmente aceito pelos samurais como
fonte de serenidade e determinação naqueles anos de
turbulência.
Foi na área da preparação psicológica que os samurais
descobriram o Zen. Naturalmente, apenas a preparação física
não era suficiente para eles. Era necessário cultivar também
a preparação espiritual para saber lidar com os momentos de
maior conflito, em que todo o treinamento recebido era de
uma só vez testado. Assim, a capacidade de manter a calma e
a mente em ordem diante da morte foi de grande utilidade
para o samurai, e nisso consistia a procura deles pelo Zen.
Dessa forma surgiu uma nova modalidade de Zen, que ficou
conhecida como "Zen do Guerreiro". Como os samurais não se
familiarizaram com as histórias clássicas do budismo chinês,
no Zen do Guerreiro os koans e os contos Zen eram
decorrentes da experiência diária deles próprios.
Na verdade, o Zen sempre esteve relacionado com a prática de
artes marciais. Isso porque era um método de aperfeiçoamento
pessoal que dava valor à experiência prática e que
estimulava o desenvolvimento de uma mente autoconfiante,
corajosa e desapegada das coisas materiais: atributos de
grande atrativo entre os guerreiros.
Apesar da procura dos samurais pela filosofia ter,
inicialmente, caráter essencialmente prático, o Zen
contribuiu para a maturidade espiritual de muitos. O
espírito profundamente Zen de alguns samurais pode ser
comprovado pela seguinte citação de Kimura Kyuho, mestre de
Kenjutsu (arte da esgrima), no século XVIII:
"O espadachim perfeito evita discutir e brigar. Brigar
significa matar. Como pode um ser humano induzir a si
próprio a matar seu semelhante? Fomos feitos para amar uns
aos outros, não para matar... A espada é um instrumento
infausto, usado para matar em circunstâncias inevitáveis.
Mas pode também dar a vida, ao invés de tirá-la."
Em 1227 o mestre Dogen chega ao Japão para divulgar a Soto,
uma outra escola do Zen.
Segundo Dogen, a prática diária em
expressar a gratidão pela natureza de Buda, em cada mínimo
detalhe do cotidiano, seria a expressão própria da
iluminação. Essa idéia contrariava os ensinamento da Rinzai,
que proclamava ser a iluminação algo repentino, que poderia
acontecer no mais inesperado momento. Assim, essas duas
escolas se desenvolveram independentemente por quase 700
anos.
Dogen procurou manter-se afastado das disputas políticas de
sua época, e sempre afirmou que tanto mulheres quanto homens
eram igualmente capazes de realizar o caminho de Buda. Isso
fez com que o Zen, através da escola Soto, se espalhasse por
todas as classes. O Zen atingiu seu pleno desenvolvimento no
Japão nos séculos XV e XVI. A partir daí deu importante
contribuição à cultura nacional, transformando profundamente
a estética japonesa. Com seu estilo simples e sutil, o Zen
encontrou sua melhor expressão na pintura a nanquim (técnica
sumi-e). Além disso, é notável a sua influência nos jardins
e na arte do chá.
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