Quero apresentar a Comunidade Brasileira esse talento na Comedia Stand-up, Luiz Gustavo! Luiz Gustavo mora em Osasco- SP é professor, palestrante e humorista muito respeitado no meio artístico!
O que é um comediante Stand-up?
Bom, o comediante stand up é aquele que “vive” das suas próprias observações… O que conta em palco, não vem de piadas conhecidas, mas daquilo que nota no dia a dia, de situações que ele mesmo vive ou repara no trabalho, faculdade, relacionamentos, televisão, músicas, enfim, não tem um tema específico, todo assunto é válido, desde que seja de sua autoria. Estas observações são chamadas de “texto”, ou seja, cada humorista deve ter o seu próprio texto. Deve se apresentar sozinho em palco, sem acessórios, figurino, cenário ou trilha sonora, apenas ele em “cena” o microfone e a plateia (claro, rs..).
Onde nasceu o movimento Stand-up?
“Movimento stand up?” rs… engraçado este “termo”, parece até uma ideologia alternativa, rs.. Ou então, podemos definir da seguinte forma, “movimento”, remete à uma ação e “stand up” em inglês, quer dizer: “em pé”, sendo assim, creio que o “movimento stand up” surge quando a criança muda de fase, ou seja, para de “engatinhar” e começa a “andar” ou algo do gênero, rs.rs…
Tá bom, tá bom, vamos falar sério agora, rs.. Então, é difícil dizer “ao certo” quando surgiu o stand up comedy, mas não tem como falar deste assunto, sem citar Jerry Seinfeld. Ele que começou a carreira, se apresentando em clubes de Nova York, com o passar dos anos, se tornou uma das maiores referências com esse estilo de humor. Através da série: ”Seinfield”, apresentou “ao mundo”, o que era o Stand up Comedy. Não estou dizendo que só existia lá, apenas o mérito pela divulgação desta arte. No Brasil, por exemplo, as primeiras notícias que temos, estão diretamente ligadas aos humoristas, José Vasconcelos e Chico Anysio, já na década de 60.
Você é professor, palestrante e comediante! Chega ser engraçado a imagem de uma pessoa séria e centrada num palco fazendo humor! Quando iniciou sua carreira como humorista?
É verdade Cléo, como na maioria das vezes, atuo em cada área de uma forma, alguns alunos não acreditam que também sou humorista e em certos momentos, algumas pessoas que assistem ao show, não imaginam que sou professor e palestrante e também “sei falar sério”, rs…
Embora eu já tenha feito comédia, no teatro (onde comecei há mais de 10 anos), minha carreira como humorista mesmo é recente, tem aproximadamente 3 anos e meio que pisei no palco pela primeira vez para fazer stand up comedy, mas só depois de 2 anos que acreditei nessa área (humor) como profissão.
A família apoiou sua escolha pelos palcos?
Lá no início, entre 2000 e 2001 com o teatro, foi difícil, porque eu quase não parava em casa por causa dos ensaios, então eu já não ia mais às festas de família, churrascos nos fins de semana, estas coisa, rs.. E mesmo sem ter a certeza que aquela fase iria de fato, determinar o rumo da minha vida, após a estréia, tudo ficou mais tranquilo e mesmo com as idas e vindas aos palcos, de lá pra cá, o apoio é constante!!!
Como é sua relação com os alunos? Você tira de letra relação aluno e mestre?
Graças à DEUS, a relação é ótima. Não que “todos me amem” não é isso, rs.. Até porque não tenho nenhuma pretensão de agradar à todos, mas sei separar bem as coisas… Na sala de aula, sou professor, passo aquilo que precisam para saírem mais informados e preparados. Posso até brincar de vez em quando, ou dependendo da turma, utilizar um ou outro recurso artístico como por exemplo, mágicas ou malabares para “quebrar o gelo” e sair da rotina, desde que tais atitudes possam ser vinculadas ao tema discutido em classe, mas a prioridade é que tenhamos um clima agradável e nos tornemos, pessoas e profissionais, melhores.
Que matérias você leciona? Suas palestras são sobre o que?
Atualmente na faculdade estou com as turmas de Recursos Humanos, onde matérias como gestão de pessoas, negociação, empreendedorismo e ética, entre outras, fazem parte da grade. As palestras na maioria das vezes, são de liderança, comunicação e marketing pessoal e profissional.
Certa vez vi um video onde você apresentava um programa de televisão, não gostou da experiência?
Ah sim, então “foi você”?!..rs.. Brincadeira, gostei muito da experiência. Era um programa de tv, transmitido na web, chamado “Arte e Carreira”. De fato uma experiência e tanto… Mas tivemos que parar, por falta de patrocínio. Ainda existe uma possibilidade de retorno, mas sem previsão, por enquanto.
O que vem a ser o espetáculo Gargalhadas?
Gargalhadas, é um show de humor, voltado principalmente para o stand up comedy, onde tenho a possibilidade de me apresentar sozinho ou com humoristas convidados.
Assistindo seus videos, percebi que você não costuma usar palavrões,é seu referencial?
Realmente não falo palavrões nos shows, devo ter usado uma ou duas vezes e não me senti bem depois, rs, por isso, hoje não uso. Não pretendo ser referência e não acho errado quem fala, porque realmente na maioria dos casos fica engraçado, rs.. Falo no dia a dia, quando estou “com amigos”, mas na plateia, estou com “clientes”.
Tenho visto uma onda crescente de humoristas na área, tanto homens como mulheres, o que você acha disso?
Isso é ótimo… É bom saber que mais e mais pessoas estão na área, que a cada dia surgem novos talentos, fazendo que esta arte, seja cada vez mais conhecida. Embora o número de homens neste cenário ainda seja maior, as mulheres estão cada vez mais presentes, provando que o objetivo do humorista é um só: levar alegria às pessoas.
Os humoristas tem estado em evidência, por problemas relacionados a piadas racistas e polêmicas, o que você pensa sobre isso? A censura esta exagerando ou os comediantes estão apelando?
A censura exagera… Claro que, como em qualquer profissão, tem “aqueles” que apelam, mas isso é minoria. Não se pode considerar polêmica ou racista, piada é piada, independente do gênero é tudo uma brincadeira e sempre foi assim, pode funcionar para uns e não funcionar para outros. O que eu vejo é que muitas vezes a censura “esquece” que a Ditadura já passou e quer continuar “ditando regras”… Nenhum humorista para voce na rua ou invade sua casa, para contar uma piada, as pessoas é que fazem suas escolhas e infelizmente algumas delas, quando se sentem ofendidas, preferem sair por aí falando mal, quando poderiam simplesmente, não assistir mais aquele determinado humorista.
Você se apresenta de cara limpa, ou tem algum personagem nos seus shows?
Apenas de cara limpa, que é outro fator essencial para uma apresentação stand up, ou seja, lá no palco o humorista, tem que estar de acordo com o que é normalmente, inclusive com relação ao vestuário, pois qualquer coisa que não condiz com o seu estilo, pode ser considerado um adereço e caracterizar um personagem. Até já fiz personagens nas primeiras apresentações de humor, porém, hoje para o stand up, apresentações apenas de cara limpa.
Em alguns dos seus trabalhos, você usa recursos da aréa artística….como é isso?
Sim, creio que a arte nos ajuda muito para termos uma vida em equilíbrio. Nas aulas, como mencionei acima, procuro dosar de acordo com a turma que tenho, porém, nas palestras isso se torna mais evidente… Sempre que vou fazer uma palestra, sei que apenas a “razão” não trará bons resultados, por isso, para cativar a “emoção” das pessoas, só há uma receita: “a arte”. Pode ser um pouco de mágica, malabares, música ou um pouco de stand up, dependendo da situação, tenho que ter “estar cartas na manga” para facilitar o entendimento do assunto abordado e isso, além de tornar o encontro mais prazeroso, facilita demais a aprendizagem.
Na sua opnião o que é mais dificil, fazer humor ou drama?
Sem dúvida, fazer humor, rs…
Já teve problemas com alguém da platéia? Algum mico, saia justa?
Com relação ao stand up, os micos, são frequentes…rs… A típica situação é quando se conta uma piada e ninguém ri, rs… É um momento tenso e aí tem que ter jogo de cintura, pra não ficar com “mais” cara de bobo, rs…
Você fez teatro, participando de montagens teatrais! Quais foram?
Participei de poucas montagens teatrais, entre elas, tem quatro que gostaria de citar: “Noite de Reis” (texto de William Shakespeare e direção de Luiz Carlos Checchia), “Imagens de Castro Alves (texto de Ibsen Wilde e direção de Ruben Pignatari). “O um na visão do outro” e “Um ser humano ideal, sem os brancos da memória” (que me atrevi a escrever, rs…, mas contei com a direção de Luiz Carlos Checchia).
Você é um homem bonito, atraente, assim como muitos humoristas que estão se apresentando por ai! Acabou aquele lance de ter que ser esquisito para fazer humor?
Ha ha ha, poxa, obrigado… É engraçado, mas parece que isso tá mudando mesmo, hoje já tem até humorista que namora ha ha… E tem umas “minas” aí do humor, que eu “pegaria fácil” ou não, rs… ha ha ha…. Mas falando sério, acho que tivemos uma fase na tv e no teatro, onde o cara que não servia pra ser galã, ia pra comédia ou então na escola mesmo, quando você não era assim, dotado de um mínimo de beleza, tinha que recorrer ao bom humor para “ganhar as menininhas”, rs… Mas vejo que o principal é que ao longo dos anos, o humor tem sido cada vez mais necessário na vida das pessoas e com isso, independente de ser bonito ou feio, gordo ou magro, homem ou mulher, mais humoristas aparecem e assim, maior a probabilidade de pessoas bonitas… e claro, “esquisitas” rs.rs..
Sofre muito assédio? No meu tempo costumávamos nos apaixonar pelos professores…rs.
Ha ha, no meu tempo de aluno também, aí foi só chegar a “minha vez” como professor para eu conseguir acabar com essa magia ha ha ha…. Então, um interesse ou outro, é normal, mas não creio que seja por ser palestrante, professor ou humorista, imagino que pelo fato de “estar a frente” de um grupo, de chamar a atenção pra sí, inevitavelmente acaba despertando o interesse em algumas pessoas… E por isso é importante separar….. Separar as bonitas das “esquisitas”, rs..rs… Brincadeira, rs…
Qual seu maior sonho?
Deixar um legado. Continuar fazendo o que gosto: “me comunicando” e ganhar a vida com isso. Sendo cada vez mais reconhecido e buscando sempre, qualidade de vida, pra mim e pra minha família. Seja falando sério nas palestras ou fazendo rir no stand up, meu maior sonho é “fazer a diferença” e interferir direta ou indiretamente para mais e mais pessoas que venham a conhecer o meu trabalho. Tenho inúmeros objetivos e aos poucos, DEUS tem iluminado os meus passos e me concedendo vitórias e aprendizados. No final da vida, quero me ouvir dizendo: “É, valeu muito a pena!”.
E projetos?
São inúmeros, rs… Mas como prioridade, para o segundo semestre deste ano (2012), são dois: Fechar uma temporada (2 à 3 meses) com o espetáculo #Gargalhadas, num teatro bem localizado na cidade de São Paulo e claro, com uma ótima bilheteria. E também, fortalecer o processo de vendas das palestras, fora do estado de São Paulo. Vários outros projetos, já estão em andamento para que estes principais, possam acontecer.
Arigato pela entrevista!
“Arigato” você Cléo, rs… É muito gratificante participar desta entrevista, minimizando a distância entre nossos países e tornando este momento “único”. Sucesso aí no Japão e obrigado pela oportunidade e contato, para “construção” do meu, aqui no Brasil, rs… Beijos, Luiz Gustavo.
Assista alguns vídeos de Luiz Gustavo
Reportagem
Cleo Oshiro – Colunista Social
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