Chrys Rochat, guardem bem esse nome, porque ela ainda vai balançar os alicerces do teatro e do cinema com seu imenso talento. Essa carioca nascida no Rio de Janeiro, mas uma cidadã do mundo como ela mesmo se define, é solteira e de idade inconfessável, mesmo porque disse que parou de contar aos 30 (rs). Chriys é uma mulher bonita, simpática e inteligentíssima onde marca sua presença com glamour para acrescentar mais brilho ao mundo das artes. Vamos saber um pouco mais sobre ela.
Chrys, com quantos anos você descobriu sua vocação artística?
Aos 15 fiz um curso de modelo e manequim na Socila, para aprender sobre moda, etiqueta, maquiagem, etc. Um fotógrafo, na época, encaminhou minhas fotos para bookers e comecei a modelar. Logo depois veio a vontade de fazer teatro.
Você é atriz, roteirista e diretora com experiência internacional nos EUA e Europa. Onde se formou?
Fiz teatro na Faculdade da Cidade em Ipanema e logo depois fui para Los Angeles onde fiz diversos cursos de atuação no Tracy Roberts Studio e com grandes nomes como Bobby Chance, Gene Zerna. Fui descoberta pelos meus managers da Bohemian Entertainment Group quando fazia cópias de minhas fotos numa loja em Hollywood e estou com eles até hoje. Comecei a atuar em filmes e comerciais e a fazer private coaching Jack Kosslyn para atuação e Claire Corff para o sotaque americano. Também fiz teatro em Paris no Theatre de La Main D´Or com Jean Christian Grinevald que foi uma grande escola. Considero que todos os diretores com quem trabalhei fizeram parte de minha formação. Fui casada por 12 anos com o produtor e diretor francês Eric Rochat que considero ter sido meu mentor cinematográfico e como tenho uma queda para a escrita e direção de atores decidi me formar em roteirista e diretora. Recentemente, estudei fotografia para cinema na República Dominicana onde morei 1 ano.
Você participou de comerciais, vídeo clipe da cantora Madonna e Cowboy de Kids Rock (tema do filme Shanghay Noon) de Jackie Chan. Onde e como foi ?
O videoclip da Madonna “Music” foi bastante interessante, pois fui escolhida no casting de uma produtora de elenco que sempre me escalava. Eu fiz o teste e fui escolhida para ser uma das Honeys da Madonna, mas até a hora da entrada da Diva, nem eu, nem nenhum dos participantes sabíamos quem era a artista. Tudo se passava numa boite em Downtown LA. O DJ era o ator Sacha Baron Cohen, Borat, ele é bastante engraçado. O clip do filme do Jack Chan com o Kid Rock se passava num saloon de uma cidade cenográfica nas colinas de Hollywood. Ele é o máximo. Foi bastante divertido e generoso. Coincidentemente, depois dublei a Salma Hayek em várias chamadas do filme Wild Wild West, foi um momento bem “western” para mim.
Você fala vários idiomas como o inglês, francês e espanhol. Trabalha com dublagens também?
Trabalhei muitos anos com dublagem em Los Angeles sob direção de Bira Castro para diversos canais como TNT, Fox, Directv. Também dublei diversos longas metragens como Coyote Ugly entre outros e o making of de X-Men fazendo as vozes de Halle Berry e Famkem Janssem e chamadas de Wild Wild West na voz de Salma Hayek. Morei um ano em São Paulo onde fazia locuções e dublagens para a programação da NatGeo no estúdio Marshmallow.
Você é tradutora e faz legendas para o programa Discovery Channel ?
Tenho 3 séries no ar no momento para canais do Discovery. No LIV faço Charmed e Judging Amy, no Animal Planet faço Amor de Gato pelo Estúdio Audiocorp no Rio e também traduzo longas em francês para o Canal+ pelo estúdio Marshmallow em São Paulo.
Na Tv atuou na novela Mandacaru (Manchete) e na série Mulher (Globo). Fez outros trabalhos na Tv?
Trabalhei em Mandacaru sob direção de Walter Avancini que foi uma experiência transformadora para mim, já que vinha de cinema em Los Angeles e fazer TV no Brasil era totalmente novo. Foi maravilhoso. Contracenei com grandes atores como Angela Leal, Zé Dumont, entre outros. Fiz grandes amigos que são próximos até hoje. Na Globo fiz a série Mulher com a Patrícia Pillar sob direção de Daniel Filho. Depois voltei a morar no exterior e me formei em diretora e a focar mais em cinema, mas tenho vontade de voltar a fazer novelas. No momento estou desenvolvendo um novo projeto para a TV como apresentadora. Chama-se Quest e será uma viagem descobrindo a fauna marinha e fluvial do Brasil, juntamente com o cameraman submarino Didier Noirot que foi mergulhador de Jacques Cousteau e tem vasta experiência em filmar baleias, tubarões e golfinhos para os canais Discovery e BBC. Devo rodar o piloto em Dezembro deste ano em Fernando de Noronha.
No cinema você escreveu, produziu, dirigiu e atuou seu primeiro longa (Novela Novela). Qual a sensação dessa primeira experiência?
Novela Novela é o meu bebê. Foi a melhor experiêcia da minha vida. Era um filme sem recursos, mas eu tive tanta ajuda e as pessoas envolvidas se empenharam tanto para que ele se realizasse que o resultado foi fenomenal. Os atores eram fabulosos, as locações incríveis e a história divertidíssima. Tudo no making de Novela Novela é uma história incrível por si só, mas duas curiosidades que eu citaria são: a primeira é a “camisa-de-força” que usei em uma das cenas. Eu não tinha orçamento para ir à prop store e alugar tudo que eu precisava, pois eu já tinha estourado o meu orçamento em props, então uma amiga que trabalhava na época na produção de um filme na Paramount, alugou a “camisa-de-força” na conta do filme dela. A Paramount não sabe, mas eles também financiaram o meu filme.( rs ). A outra foi a questão do bufê, eu tinha uma caneta que alguém tinha me dado com o nome e telefone desse bufê famosérrimo em Hollywood que fazia o catering de todas as grandes produções, Arlis Catering. Eu liguei para o Arlis e pedi um orçamento, ele me passou um orçamento 5 estrelas e eu disse a ele que embora desejasse tal tratamento para o meu elenco e equipe, nunca poderia pagar por tantos salmões, filés e sorbets de frutas vermelhas. Ele riu e nos deu o bufê para o filme de graça. Foi incrível. Tudo naquele filme era mágico. Também tive o patrocínio da Varig e da Sony.
Você foi premiada com ele como o melhor filme de língua estrangeira no Festival Independente de Nova York? Qual foi a emoção de ver seu primeiro trabalho ser reconhecido?
Foi sensacional! E depois da premiação em Nova York, ainda participei de outros festivais no Brasil como exibição especial, já que na época não havia competicão para filmes digitais. Fomos para o Cine Ceará, Festival Gramado e Festival de Recife. Todos uma grande festa, onde também fiz vários amigos.
Você está produzindo o longa Entrelinhas Suspeitas.O filme é sobre o quê?
Entrelinhas Suspeitas é o meu novo projeto de longa que está em desenvolvimento.
Renomada escritora de mistérios acredita ter visto um crime e agora quer desvendá-lo, mas acaba correndo perigo real, ao cair no intrincado submundo do tráfico de animais da Amazônia. Pressionada a escrever um novo livro, ela usa a morte da jovem índia como ponto central da trama, mas cai num dilema terrível: O crime realmente aconteceu ou é só fruto de sua mente obcecada por uma nova ideia? Logo, o que viu e o que escreve se misturam e já nem ela é capaz de distinguir a realidade da ficção.
Fale sobre a peça Complexo de Castro que você esta produzindo.
Complexo de Castro é uma peça americana inédita aqui no Brasil, uma comédia, que eu traduzi e adaptei. Ela foi encenada nos anos 70 na Brodway e o personagem do Paco era vivido pelo ator Raul Julia. No elenco estão: eu no papel de Betsy, Eduardo Katz como Marcus e Fernando Arze como Paco Montoya e na direção, Marcus Alvisi, premiado diretor de teatro que já dirigiu nomes como Diogo Vilela, Alessandra Negrini e Marcelo Serrado, entre outros. Estamos atualmente em produção e a idéia é estrear no início de 2013 no Rio e depois viajar pelo Brasil e Argentina. A peça conta a história de Betsy Kress que tem fixação por Fidel Castro e não consegue fazer amor com o namorado, Marcus, a menos que ele assuma a identidade do líder cubano: barba, boné do exército, charuto. Achando que a brincadeira já foi longe demais, Marcus parte decidido a por um fim em tudo. Nisso, chega no apartamento de Betsy, Paco, um verdadeiro revolucionário cubano barbudo buscando refúgio da CIA. Estará Betsy pronta para abdicar de suas fantasias ou essa é a chama que ela precisa para realizá-las de vez?
Existem muitas dificuldades nas produções, seja no teatro ou cinema? O custo deve ser altissímo e a necessidade de bons patrocinadores e investidores no projeto conta muito?
A dificuldade de produzir faz parte do processo e no final isso acaba contribuindo para a qualidade do mesmo. Quando se ama teatro e cinema não importa a dificuldade, pois produzir uma história que você quer contar justifica todos os sacrifícios. É claro que a burocracia é, em minha opinião, o maior entrave para o artista. O artista quer criar, se doar, contar uma história e quando a coisa se torna meio kafkaniana é bastante frustrante, mas é assim que funciona e o prazer de ter o projeto pronto é o que vale no final.
Fale sobre o workshop que ministrou e suas novas técnicas.
Eu ministrei um workshop com técnicas americanas no Espaço Telezoom ano passado. Não via cursos desse tipo aqui no Brasil e decidi doar um pouco do knowhow que adquiri lá fora para atores que tinham interesse nesse tipo de técnica ou interesse em estudar fora. Foi muito gratificante. Gosto de trabalhar com atores e dar de volta um pouco do que aprendi foi importante para mim.
Você já fez filmes no exterior?
Fiz vários filmes em Los Angeles, entre eles: Lucia de Lorin Ruttenberg, Family Values de John elk e To Protect and Serve de Joseph Perez. Todos lindos e inspiradores de fazer. Tive muita sorte de ser escalada e amo cada uma das minhas personagens. Sempre fica um pouco de cada uma dentro da gente.
Quem você tem como inspiração? Quem são seus ídolos?
Ao longo da minha vida tive muitas figuras inspiradoras, mas a maior delas para mim foi o meu marido, Eric Rochat, que me fez conhecer todas as outras. Admiro muitos diretores, atores e escritores e ficaria horas citando cada um deles. Acho que todo artista que faz o que ama com talento e habilidade é muito inspirador para mim.
Um sonho a realizar?
Tenho tantos sonhos a realizar que decidi dedicar a minha vida toda a eles. Meu maior sonho é continuar vivendo da maneira que amo que é viajar, escrever, atuar e dirigir, não necessariamente nesta ordem. Cleo, querida, obrigada pelo interesse em conhecer e divulgar a arte do nosso país. Espero que as minhas respostas atendam a sua curiosidade. Beijos – Chrys Rochat
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Reportagem
Cleo Oshiro – Colunista Social
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