A Jornalista – Belisa Ribeiro

Belisa Ribeiro, 58 anos, casada, mãe de dois filhos, os músicos Tiago Mocotó e Gabriel o Pensador, mora no Rio de Janeiro, e depois de um tempo afastada da TV, ela volta num programa documentário onde mostra as belezas das cidades do interior. Belisa é uma jornalista de uma bagagem imensa, com uma trajetória brilhante onde pode mostrar sua competência nas maiores emissoras da televisão brasileira.

Belisa, seus  dois filhos são músicos. Você costuma assistir os shows ? Gosta do estilo musical deles?
Eu sou totalmente fã dos meus dois filhos e vou a todos os shows que posso. O Tiago Mocotó é, além de cantor e compositor, um excelente percussionista, especializado no pandeiro. Ele compõe e canta com o  irmão, Gabriel o Pensador. Eu gosto do estilo musical dos dois – samba tradicional, que o Mocotó canta quando está em shows solo – e rap bem brasileiro, estilo lançado no Brasil pelo Gabriel.

Você foi professora universitária. Por quanto tempo lecionou?
Lecionei durante cerca de dois anos na Universidade Veiga de Almeida, tanto no campus da Tijuca, quanto no da Barra.

É verdade que você plantou duas mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica? Isso na sua residência?
Foi uma tarefa da qual me orgulho e para a qual tive ajuda fundamental do SOS Mata Atlântica. Eu plantei as duas mil mudas no meu hotel, Yledaré, que fica na cidade serrana de Miguel Pereira, no estado do Rio de Janeiro.

Depois de um tempo afastada da TV, você voltou na série Caminhos da Cultura. Qual a expectativa do retorno?
Eu gosto muito de fazer TV, agora mais do estilo documentário do que dos telejornais diários, em que fui pioneira, como apresentadora do Jornal da Globo, em sua criação, na década de 80. Gosto muito do novo programa, que voltará a ser exibido na TV Band Rio ainda em 2013, por que é uma oportunidade de mostrar na TV aberta a cultura das cidades do interior, quase nunca valorizada na mídia para o grande público.

Fale sobre o programa.
Gravamos documentários em 21 cidades do interior do Estado do Rio de Janeiro, sempre focando suas atividades culturais. Quem quiser assistir as duas séries, basta entrar no site www.caminhosdacultura.com . Com certeza, é surpreendente o tanto de beleza, história e patrimônio material e imaterial que existe nestas cidades, bem próximas da Capital Rio de Janeiro, tesouros muitas vezes ainda desconhecidos pelos próprios moradores do Estado.

Você foi militante do PCB (Partido Comunista Brasileiro) Então participou das Diretas Já?
Fui militante do PCB e atuante nas lutas pelo retorno da democracia a nosso país, como a da Anista, a da Constituinte e, claro, a das Diretas Já. Me orgulho de ter participado! Quem quiser conhecer melhor minha trajetória, pode visitar meu site www.belisaribeiro.com.br onde encontrará entrevista que fiz para a TV com grandes nomes da política brasileira. Inclusive com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando ele era deputado constituinte, seu primeiro cargo político. É uma entrevista histórica, pois é a primeira em que ele admite que, um dia, poderia se candidatar à Presidência da República do Brasil!

Sempre esteve ligada a política, tanto é que criou formatos novos de markenting para uso na televisão de campanhas eleitorais. Nunca se candidatou a nenhum cargo politíco?
Não, prefiro atuar nos bastidores das campanhas.

Na  TV Bandeirantes você apresentava o programa Canal Livre. Era sobre política?
Este programa foi histórico. Tive a sorte de assumi-lo quando o apresentador Roberto D´Ávila, meu amigo e um dos mais importantes jornalistas brasileiros, saiu do programa para integrar a equipe da TV Manchete, que então se inaugurava. Era o período chamado de “abertura democrática”, transição da ditadura para a democracia e fiz entrevistas com políticos e personalidades que nunca haviam dado entrevista na TV, como o próprio Lula, Antonio Carlos Magalhães, Armando Falão e Paulo Maluf.

E o Programa Dia D (TV Bandeirantes), era um programa independente?
Este programa foi marcante pela ousadia e espírito de vanguarda do empresário que junto comigo o idealizou, Paulo Marinho. Convidamos para participar jornalistas eminentes na mídia impressa que nunca haviam antes aparecido na telinha. Foi uma honra apresentar e dirigir o Dia D, que contava com a nata da imprensa brasileira. Entre outros, tínhamos como colunistas e repórteres nada menos que Zózimo Barroso do Amaral, Marcos Sá Corrêa, Augusto Nunes, William Waack e Miriam Leitão. Uma curiosidade: no site www.belisaribeiro.com.br você pode ver as reportagens dessa turma da pesada e curtir a Miriam Leitão de biquine fazendo matéria na praia de Copacabana!!!!

O Jornal da Globo, foi o primeiro telejornal brasileiro que teve como ancôras jornalistas e não locutores. Você era a editora e apresentadora?
Sim, foi isso mesmo. Éramos Renato Machado, Luciana Villas Boas e eu. Ressalvo minha gratidão aos locutores Cid Moreira e Sérgio Chapelin que muito ajudaram meu ingresso no jornalismo impresso e a lidar com a nova mídia.

É autora do livro Bomba no Riocentro, que aborda o tema de como os jornalistas venceram a censura. Quando escreveu o livro?
Escrevi o livro no calor dos acontecimentos em 1981 e, 18 anos depois, reeditei com uma pesquisa sobre o que os jovens que nasceram no ano do atentado conheciam da história recente do Brasil. Eles não conheciam muito, não. Ambas as edições estão esgotadas.

Você fez parte do grupo de jornalistas que lançaram a Revista Caras no Brasil?
Eu era correspondente de O Globo em Nova Iorque e fui convidada pelo grande jornalista Nirlando Beirão, primeiro diretor da revista, a integrar sua equipe, o que fiz com muito gosto, pois meus dois filhos estavam no Brasil e eu já estava com saudades e vontade de voltar a morar na terrinha.

Belisa, sua trajetória  é incrivel, se for citar tudo aqui vai longe…rs. Foi editora de mais de 20 jornais sindicais de trabalhadores, editora do Jornal do Brasil (RJ), diretora da sucursal em Brasília, correspondente de O Globo em Nova York, titular da tradicional coluna politica do Informe JB. De toda a expêriencia acumulada por onde passou e trabalhou, qual te marcou mais?
Não foi uma destas experiências, mas o fato de ter ousado experimentar de tudo um pouco. Ou, como diz meu filho Tiago Mocotó, viver várias vidas em uma. Sou uma eterna repórter na vida – gosto de apurar, fuçar notícias e transmiti-las aos outros, sempre que possível com um comentário que instigue o debate.

Chegou a fazer rádio?
Sim, algumas vezes e uma das melhores experiências foi apresentar e dirigir, ao lado de Tiago Mocotó, o programa Voz do Brasil, que era transmitido em Portugal.

Tem algo na sua vida que não realizou ainda?
Claro, se dermos tudo por realizado, qual a graça de viver? Ainda quero escrever um romance e um livro para crianças, sendo que esta segunda ambição já estou colocando em prática.
Um grande beijo a todos os brasileiros no Japão.

Vídeos com Belisa

Reportagem
Cleo Oshiro –  Colunista Social

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