
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursando a bordo do porta-aviões de propulsão nuclear da Marinha dos EUA (Imagem: Nikkei)
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, está explorando a possibilidade de visitar os Estados Unidos ainda no início de 2026.
A visita tem como objetivo reforçar a aliança com o presidente Trump e avaliar oportunidades para melhorar as relações com a China, que permanecem tensas desde que Takaichi mencionou a possibilidade de uma crise envolvendo Taiwan.
Após suas declarações, o governo chinês adotou uma postura rígida em relação ao Japão, pedindo aos cidadãos que evitem viajar para lá e suspendendo, na prática, a importação de produtos aquáticos japoneses recentemente retomada.
Artigos relacionados
No panorama internacional, embora a tensão entre Japão e China não tenha grande destaque na mídia dos EUA e Europa, algumas reportagens no sudeste asiático mostram apoio ao Japão.
Takaichi enfatiza a importância de manter o diálogo aberto com a China, enquanto busca fortalecer laços com países do “Quad” – EUA, Austrália, e Índia – e aliados no sudeste da Ásia e Europa.
Em um discurso em Tóquio no dia 25 de dezembro, Takaichi revelou planos para um encontro de cúpula entre Japão e EUA no primeiro semestre de 2026. A ideia é se reunir cedo com Trump, possivelmente em março, antes da prevista visita de Trump à China em abril onde se encontrará com Xi Jinping.
Portanto, Takaichi quer garantir que os laços entre Japão e EUA estejam sólidos.
A rapidez com que se concretiza a visita a Washington pode indicar o quanto a administração dos EUA valoriza as relações com o Japão.
Para exemplificar, Shigeru Ishiba, ex-primeiro-ministro, visitou os EUA quatro meses após tomar posse, enquanto outros líderes demoraram mais devido à pandemia da COVID-19.
Se Takaichi visitar os EUA em março, isso será notavelmente rápido, refletindo o compromisso recíproco entre os países. Trump, por sua vez, tem seu maior foco diplomático na visita agendada à China em abril.
A intenção é avançar em negociações comerciais sem criticar publicamente a China, mesmo após eventos controversos como o incidente de 6 de dezembro, onde aeronaves chinesas apontaram radar para aeronaves japonesas.
Com uma possível aproximação entre EUA e China, existe a preocupação de que o Japão fique em segundo plano. O Japão, contudo, espera manter boas relações com os EUA e encontrar maneiras de suavizar as tensões com a China.
A cúpula de líderes da APEC, marcada para novembro em Shenzhen, China, será um momento decisivo, pois pode haver uma oportunidade de encontro entre líderes japoneses e chineses.
No cenário global, o Japão permanece comprometido em evitar uma dependência excessiva da China, como ficou claro na cúpula do G7 em Hiroshima em 2023, que priorizou o “desacoplamento” e não o “desengajamento” econômico.
Fonte: Nikkei







