Prisão perpétua para réu acusado de assassinato de Shinzo Abe
O réu japonês que, durante o atentado, tirou a vida do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, ouviu a sentença de prisão perpétua.

Shinzo Abe (Wikimedia)
Na quarta-feira (21), o juiz do Tribunal Distrital de Nara condenou o réu japonês Tetsuya Yamagami, 45 anos, acusado de assassinato do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, à prisão perpétua.
“Foi um crime extremamente hediondo, e não se pode reconhecer que sua trágica criação familiar tenha influenciado significativamente a prática do assassinato”, pontuou o magistrado.
O réu ouviu o veredicto com as mãos cruzadas sobre o peito e os olhos baixos.
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O réu Yamagami atirou contra o ex-primeiro-ministro Abe com uma arma de fabricação caseira em Nara, em julho de 2022, enquanto ele discursava em campanha para a eleição da Câmara dos Conselheiros.

Minutos antes do atentado em Nara (arquivo da NHK)
O julgamento focou em questões como até que ponto as dores familiares do réu – que após a morte do pai, a mãe fez grandes doações à antiga Igreja da Unificação, gastando toda a herança, criando os filhos (ele e um irmão) na miséria, levando o irmão a cometer suicídio – deveria ser levadas em consideração na determinação da severidade da pena. Mas, o que pesou foi o disparo com uma arma de fogo artesanal, pois o réu acreditava que Abe tinha laços com a Igreja da Unificação.
Ódio à Igreja da Unificação: motivação do réu para o crime
O juiz presidente do Tribunal Distrital de Nara, reconheceu que a infância e adolescência do réu foi em grande parte na miséria, mas ressaltou: “Mesmo que alguém nutra um ódio intenso à antiga Igreja da Unificação, é preciso um salto enorme para cometer um assassinato. A decisão do réu de cometer o crime sem buscar alternativas legais foi uma decisão própria, e não se pode reconhecer que sua criação tenha desempenhado um papel importante”.
“Atacar a vítima pelas costas com uma arma foi desprezível e extremamente malicioso. A vítima não tinha culpa alguma. É evidente que o resultado foi grave e é perfeitamente compreensível que a esposa da vítima ainda sinta a perda. É possível que outras pessoas, além da vítima, tenham sido feridas, e o fato de isso ter causado intenso medo entre os presentes não pode ser ignorado”, destacou o magistrado.

Momento em que Yamagami foi preso, logo após o atentado (arquivo da NHK)
Quanto à atitude do réu, ainda salientou: “Não podemos afirmar que ele tenha plena consciência do perigo do crime ou da gravidade da morte de uma pessoa, e não podemos afirmar que ele tenha se arrependido o suficiente”.
“A malícia e o alto grau de periculosidade de disparar dois tiros com intenção homicida foram proeminentes. O alto grau de premeditação também merece forte condenação”, justificou, proferindo a sentença de prisão perpétua, embora a defesa tenha solicitado o máximo de 20 anos de cárcere.
Argumentos da acusação tiveram mais peso
Durante as 15 sessões do julgamento que começou no ano passado, a acusação e a defesa divergiram sobre até que ponto a criação do réu e as circunstâncias dos crimes (produção de arma e assassinato) deveriam ser levadas em consideração na determinação da severidade da pena, mas o magistrado acatou integralmente os argumentos da acusação.
Agora resta saber se a defesa recorrerá da sentença. “Consultarei o réu para tomar essa decisão”, disse o advogado de Tetsuya Yamagami.
Fontes: MBS e NHK







