Economistas criticam proposta de zerar imposto sobre alimentos
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88% dos economistas acreditam que zerar o imposto sobre alimentos prejudicaria a economia, segundo pesquisa feita pelo jornal Nikkei.

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Uma pesquisa realizada pelo Nikkei Shimbun revelou que 88% dos economistas acreditam que zerar o imposto sobre alimentos teria um impacto negativo na economia japonesa. Muitos questionam a eficácia da medida como solução para a alta dos preços, apontando que poderia comprometer a sustentabilidade fiscal e social, além de favorecer a desvalorização do iene e o aumento das taxas de juros.
Com as eleições para a Câmara dos Representantes marcadas para 8 de fevereiro, tanto o partido governista quanto a oposição têm defendido a redução do imposto sobre consumo. A coalizão do Partido Liberal Democrata e o Nippon Ishin no Kai, assim como a aliança entre o Partido Democrático Constitucional e o Komeito, incluíram a proposta de zerar o imposto sobre alimentos em suas plataformas.
Entretanto, ao ouvir 50 economistas entre os dias 22 e 27 deste mês, 46% disseram ‘não concordo’ e 42% ‘discordo totalmente’, totalizando 88% que veem mais desvantagens do que benefícios na medida.
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Embora a redução do imposto sobre alimentos seja vista como um alívio para as famílias sofrendo com a alta dos preços, especialistas destacam que a medida teria pouco efeito tanto no controle da inflação quanto no apoio às famílias.
O professor Yasuhito Sato, da Universidade de Tóquio, alerta que, sem mudanças no lado da oferta, a demanda poderia aumentar, acelerando ainda mais a inflação. Já o professor Makoto Hasegawa, da Universidade de Quioto, observa que, na Europa, reduções temporárias de impostos tiveram efeitos limitados, com aumentos significativos nos preços quando as taxas foram restabelecidas.
Críticas também surgem sobre a injustiça da medida, já que beneficiaria mais as famílias de alta renda, que gastam mais com alimentos. O professor Junya Hamaki, da Universidade Hosei, destaca que a redução do imposto seria injusta, pois favoreceria desproporcionalmente os mais ricos.
A preocupação com o impacto fiscal é outro motivo para a oposição à redução do imposto. O professor Ryo Jinnai, da Universidade Hitotsubashi, afirma que o imposto sobre consumo é essencial para financiar a seguridade social e que sua redução poderia ameaçar a sustentabilidade fiscal e social.
A professora Haruko Noguchi, da Universidade Waseda, alerta que a perda de trilhões de ienes em receita fiscal poderia aumentar o déficit fiscal e os juros de longo prazo, elevando o risco de desconfiança nos títulos públicos.
O professor Hiroyuki Kasahara, da Universidade de British Columbia, no Canadá, também expressa preocupação, afirmando que uma redução de 5 trilhões de ienes sem fonte de financiamento permanente poderia ser vista como perda de disciplina fiscal, levando a mais vendas de títulos públicos e desvalorização da moeda.
Além disso, há críticas sobre o uso político do imposto sobre consumo. O professor Chiaki Moriguchi, da Universidade Hitotsubashi, defende que os políticos não devem usar o imposto para ganhos pessoais de curto prazo, mas sim explicar sua importância ao público de forma honesta e persistente.
Como alternativa eficaz para enfrentar a alta dos preços, muitos apoiam a combinação de redução de impostos e aumento de subsídios para pessoas de baixa renda, através de um sistema de “crédito fiscal com devolução”.
Fonte: Nikkei







