Japão tem potencial para ser o 3º no mundo na reserva de terras raras
O teste inédito e bem sucedido de coleta de lama do fundo do mar, com terras raras, foi tão bem sucedido que coloca o Japão como um dos 3 países do mundo em termos de reserva!

Lama extraída de uma profundeza de quase 6 mil metros, com minerais raros (JAMSTEC)
Em um passo decisivo para sua segurança econômica, o Japão anunciou o sucesso na coleta experimental de lama rica em terras raras a quase 6 mil metros de profundidade, na segunda-feira (2).
O feito inédito, realizado próximo à ilha de Minamitorishima, coloca o país no caminho para reduzir sua dependência da China e se tornar um dos maiores detentores desses minerais estratégicos no mundo.
Isso chamou tanto a atenção dos países da Ásia que a emissora estatal da China e outros veículos noticiaram esse teste da exploração na terça e quarta-feira (4).
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Terras raras: avanço tecnológico sem precedentes
A operação foi conduzida pelo navio de perfuração “Chikyu”, da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre (JAMSTEC). Pela primeira vez na história, utilizou-se tecnologia adaptada da extração de petróleo e gás para coletar sedimentos a 5.700 metros de profundidade, sob pressão extrema.
O sucesso é fruto do Programa de Criação de Inovação Estratégica (SIP), que recebeu um investimento de cerca de 40 bilhões de ienes e levou 16 anos para desenvolver os dispositivos de trituração e os tubos de sucção especiais necessários para o projeto.

Tubo de sucção instalado no navio Chikyu (SIP/JAMSTEC)
O Japão no topo das reservas globais, atrás do Brasil
Estimativas realizadas pela Universidade de Tóquio indicam que a região abriga pelo menos 16 milhões de toneladas de terras raras. Esse volume projeta o Japão para a terceira posição no ranking mundial de reservas, atrás apenas da China (44 milhões de toneladas) e do Brasil (21 milhões de toneladas).
Fator político e geopolítico
A busca pela autossuficiência em terras raras ganhou urgência devido ao agravamento das relações com Pequim.
- Histórico de retaliação: Desde a crise das Ilhas Senkaku em 2010, o Japão reconhece a “armaficação” dos recursos pela China como um risco de segurança nacional.
- Contexto atual: Após declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan, a China impôs novas restrições à exportação de materiais de uso civil e militar em janeiro deste ano.
- Impacto eleitoral: Com as eleições da Câmara dos Representantes se aproximando (8 de fevereiro), o anúncio fortalece a narrativa do governo Takaichi de construir uma cadeia de suprimentos independente e mostrar uma postura firme diante das pressões externas.
Próximos passos e desafios
Embora o progresso técnico seja notável, o caminho para a viabilidade comercial das terras raras ainda apresenta desafios.
O governo planeja iniciar a extração de até 350 toneladas de lama por dia a partir de fevereiro de 2026.
O objetivo final é concluir a análise de custo-benefício do projeto até março de 2028, determinando se a extração em águas profundas pode, de fato, se tornar o “divisor de águas” nas relações sino-japonesas.
Assista ao vídeo divulgado pelo SIP e JAMSTEC para ter uma ideia mais clara dessa exploração de lama com terras raras sem precedentes no mundo.
Fontes: Nikkei, Record China, Chuo Nippo e Chosun Online







