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Educar com propósito: a trajetória de Caio e Yone Kami Mura no Japão

Conheça a história de Caio e Yone Kami Mura, que dedicam suas vidas à educação de crianças brasileiras, sendo um porto seguro no Japão.

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Educar crianças brasileiras no Japão é, antes de tudo, um ato de cuidado. É oferecer segurança, identidade e esperança a quem está longe de casa. Foi com esse sentimento que Caio mais conhecido como (Tio Caio) e Yone Kami Mura iniciaram sua caminhada ainda como professores, e transformaram uma escola em um projeto de vida.

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Hoje, como diretores, eles conduzem uma instituição reconhecida no Brasil e no Japão, que já acolheu milhares de crianças e segue sendo um porto seguro para famílias brasileiras. Nesta entrevista, Caio e Yone falam sobre desafios, conquistas, educação, família e o compromisso diário de formar pessoas, não apenas alunos.

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Perguntas para Caio Kami Mura
Portal Mie: Vocês chegaram ao Japão em 2004 já com a missão de lecionar. Olhando pra trás, o que mais te surpreende na diferença entre o Caio professor de Educação Física daquele início e o Caio diretor que você é hoje?
Caio: Cheguei no Japão em outubro de 2003, a princípio cheguei sozinho, minha esposa e filhos ficaram no Brasil, a intenção não era dar aula em colégio, tinha como objetivo principal tentar trabalhar com futebol aqui no Japão. No Brasil, atuei como preparador físico de futebol profissional por mais de dez anos.
No entanto, logo percebi que era apenas um sonho. A realidade se mostrou mais difícil do que eu imaginava, principalmente pela dificuldade de acesso. Apenas a minha experiência não seria suficiente. Foi então que o Colégio surgiu como uma oportunidade de permanecer no Japão, exercendo um trabalho qualificado dentro da minha área.
Acredito ter sido muito importante ter iniciado minha jornada como professor no Colégio Latino, fez com que eu pudesse conhecer o funcionamento, ter contato próximo com as crianças, entender as dificuldades vivida pelas crianças, acredito que essa construção e consciência me proporcionou experiências e vivências necessárias para que eu pudesse assumir a gestão do Colégio.

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Portal Mie: Além de dar aula, você também assumiu a parte administrativa no começo. Em que momento você percebeu que o Colégio Latino ia muito além de uma escola e se tornaria um projeto de vida?
Caio: Trabalhando diariamente com as crianças e também com as famílias, você passa a se envolver não apenas com as questões educacionais do colégio, mas também com os problemas vividos por essas pessoas e saber que você pode fazer a diferença na vida delas, foi determinante, talvez esse foi o momento que a chave vira, e o que no começo era apenas um trabalho, acaba se transformando em um propósito de vida: acolher as crianças e jovens brasileiros poder fazer parte da vida de cada um e contribuir de forma positiva, isso é muito gratificante.

Portal Mie: O reconhecimento pelo MEC e depois pelo governo japonês foram marcos importantes. Qual dessas conquistas foi mais desafiadora emocionalmente e por quê?
Caio: Acredito que todas as conquistas foram extremamente importantes. O reconhecimento do MEC possibilitou que todos os documentos escolares fossem válidos em todo o território brasileiro. Posteriormente, tivemos o reconhecimento do governo japonês, o que trouxe muita credibilidade junto ao poder público e à sociedade japonesa, reconhecendo o trabalho de excelência realizado pelo nosso colégio.

É um grande orgulho saber que não apenas em Shiga, mas em toda a região de Kansai, somos a única escola brasileira a desfrutar desse status. Isso, com certeza, elevou o nível da nossa instituição, reconhecida tanto no Brasil quanto no Japão, embora saibamos que essas conquistas também foram alcançadas por outras instituições brasileiras no país.

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Mas talvez a conquista mais desafiadora ou talvez a maior conquista tenha ocorrido em 2015. Tínhamos um sonho em poder ocupar uma escola pública japonesa, e tivemos a oportunidade de pleitear junto a prefeitura uma bela escola localizada no bairro de Kozukata Cho em Higashiomi, esse bairro é muito pequeno e tradicional, aproximadamente 150 famílias japonesas residem nesse local, e a grande maioria dessas pessoas com idade avançada.

Então sabíamos que das dificuldades de permissão de funcionamento do Colégio, pois iríamos alterar totalmente a rotina tranquila do local, entre reuniões e explicações para a associação de moradores e prefeitura foram praticamente 2 anos, mas graças a Deus e um esforço conjunto com a comunidade e prefeitura de Higashiomi conseguimos a aprovação e também um reconhecimento pelo trabalho educacional e social realizado pelo Colégio Latino, acredito que sejamos a única escola brasileira no Japão a ocupar um prédio de uma escola pública japonesa.

Portal Mie: Ser diretor de uma escola brasileira no Japão envolve lidar com culturas, expectativas e realidades muito diferentes. Qual foi o maior aprendizado que essa experiência te trouxe como líder?
Caio: Acredito que viver no Japão e fazer educação aqui é um aprendizado constante. Estamos em um grande país, uma referência cultural mundial, e há muito a aprender com a sociedade e o sistema educacional japonês. Se eu pudesse destacar um valor que mais me chama a atenção e que procuro aprender diariamente, é a importância do bem coletivo sobre o interesse particular: cuidar de tudo e de todos à nossa volta antes de cuidarmos apenas de nós mesmos.

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Portal Mie: Depois de atender mais de 2.500 crianças ao longo dos anos, o que ainda te motiva a continuar todos os dias com a mesma energia e responsabilidade?
Caio: A maior motivação minha e de toda a equipe do Colégio Latino é continuar valorizando e transmitindo a nossa cultura, a nossa brasilidade, e auxiliar nossas crianças nessa difícil realidade de imigrantes.
Ainda tenho um sonho a ser concretizados, espero que o governo japonês e também a sociedade japonesa possa reconhecer o Colégio Latino como Entidade de Interesse Público, o caminho é longo e difícil, mas acredito que algum dia isso será possível.

Perguntas para Yone Kami Mura
Portal Mie: Você começou na Educação Infantil, lidando diretamente com crianças pequenas em um país estrangeiro. O que esse contato te ensinou sobre acolhimento e identidade?
Yone: No meu caso, cheguei ao Japão no início de 2004 diretamente para o Colégio Latino. Trabalhei por aproximadamente sete anos na educação infantil e posteriormente assumi ao lado do Diretor Caio, a missão de coordenar o colégio. Trabalhar com crianças e jovens é uma satisfação enorme. A questão do acolhimento e da empatia se desenvolve de forma natural, porque nós professores sabemos exatamente o que os pais sentem ao imigrar.

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Além disso, como mãe de duas crianças que, quando chegamos ao Japão tinham quatro e seis anos, vivi exatamente os mesmos sentimentos: deixar familiares, amigos, escola e ter que recomeçar do zero. Por isso, sempre tivemos a intenção de que as crianças se sentissem bem acolhidas, em um ambiente saudável. Construímos o Colégio como se ele tivesse sido feito para os meus próprios filhos, buscando fazer o melhor a cada dia.

Portal Mie: Como mulher, educadora e diretora, quais foram os maiores desafios que você enfrentou ao longo dessa trajetória no Japão?
Yone: Tudo no Japão é desafiador: a diferença cultural, a língua, a carga horária. E na condição de mulher e mãe, esses desafios se tornam ainda maiores. Acredito que as palavras que definem não apenas a mim, mas todas as mulheres brasileiras que vivem no Japão, são resiliência, paciência, determinação e principalmente muita fé em Deus, sempre acreditando que o melhor está por vir, com a certeza de que o amanhã será melhor que hoje. Tenho um respeito muito grande por todas as mulheres imigrantes brasileiras.

Portal Mie: O Colégio Latino sempre teve um olhar muito humano, de cuidado e pertencimento. Esse lado mais afetivo da escola vem muito da Educação Infantil. Isso foi algo pensado desde o início ou foi nascendo com o tempo?
Yone: trabalhar com as crianças da Educação Infantil e tão trabalhoso como prazeroso, ouvir as primeiras palavras, muitas vezes até os primeiros passos, e eles passam pelo colégio por grandes períodos, algumas crianças até décadas, ou seja mesmo que eles crescem esse carinho permanece sempre. Mas todas as nossas crianças, independentemente da idade, precisam ser acolhidas e escutadas, e isso faz parte do nosso trabalho, mais vai muito além disso, lidamos com sonhos, sentimentos e somos de certa forma, responsáveis pelo futuro dessas crianças. No Colégio Latino é difícil ou, na verdade, impossível conseguirmos separar o lado profissional do lado humano. Tudo caminha junto, e isso faz com que sintamos que esse colégio é único.

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Portal Mie: Trabalhar e dirigir uma escola ao lado do marido não deve ser simples todos os dias. Como vocês equilibram as decisões profissionais com a vida pessoal?
Yone: Trabalhar diariamente com o Caio também faz parte de um aprendizado contínuo, de amadurecimento e muito profissionalismo. Cada um tem sua função específica dentro do Colégio, mas acredito que nos complementamos, e isso traz ganhos importantes para a instituição. Neste ano, completaremos 34 anos de casado e 22 anos juntos nessa jornada maravilhosa à frente do Colégio Latino.

Portal Mie: Quando você olha para o futuro e pensa nas crianças brasileiras que ainda precisam de apoio no Japão, o que mais te emociona e te dá força para continuar?
Yone: O que mais me emociona é olhar para trás e ver que ex-alunos se tornaram pais, grandes profissionais, estudaram, se aprimoraram e evoluíram como pessoa. Saber que, de alguma forma, fizemos parte da história de cada um é muito gratificante. E quero continuar fazendo parte, de forma positiva na vida de cada criança que teve a oportunidade de estudar no Colégio Latino.

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Caio – Agradecimentos:
Primeiramente gostaria de agradecer a Deus por tudo que tem feito na minha vida, agradecer a minha família por ser base fundamental em toda minha trajetória, agradecer a todas as pessoas que contribuíram para que o Latino pudesse ser esse ponto de apoio e cultura brasileira, levando educação e acolhimento a muitas crianças, agradecer aos nossos alunos, familiares, funcionários e professores, que com certeza fazem desse Colégio um lugar singular.
Meus agradecimentos ao Portal Mie e especialmente ao meu amigo Clayton Moraes, por nos permitir contar um pouquinho sobre a nossa história e a história do Colégio Latino.

Yone – Agradecimentos:
Tenho uma gratidão imensa a Deus e à minha família e a todas as pessoas que fazem ou já fizeram parte da “Família Latino”. Foram 22 anos dedicados à escola, marcados por aprendizados, desafios e muitas conquistas, tanto como professora quanto como coordenadora. Levo comigo as histórias vividas, os vínculos construídos e a certeza de que educar é um ato de amor capaz de transformar vidas.

Reportagem Clayton Moraes – Fotógrafo & Colunista
Fotos – cedidas

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