A crise no Oriente Médio atingiu um novo patamar de gravidade na segunda-feira (2), o que pode afetar o Japão. A QatarEnergy, estatal de energia, anunciou a suspensão total da produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) após ataques de drones iranianos contra as cidades industriais de Ras Laffan e Mesaieed. O impacto foi imediato: os preços de referência do gás natural na Ásia registraram um salto recorde de quase 39%.
Simultaneamente, a Arábia Saudita confirmou o fechamento temporário de unidades na refinaria de Ras Tanura, uma das maiores do mundo, após ataques com drones causarem incêndios na instalação.
O Dilema do Japão: Sakhalin é suficiente?
Para o Japão, a notícia é alarmante. Embora o país mantenha a importação de gás natural do projeto Sakhalin-2, na Rússia — que fornece cerca de 9% das necessidades nipônicas —, essa cota é insuficiente para compensar uma interrupção prolongada no fornecimento vindo do Qatar.
Especialistas alertam que a dependência japonesa do Oriente Médio vai além do volume físico; trata-se de estabilidade de preços. Com a produção do Catar suspensa e o Estreito de Ormuz congestionado por petroleiros parados, o Japão será forçado a competir no mercado global por cargas emergenciais de GNL, enfrentando preços inflacionados que impactarão diretamente as contas de luz de residências e indústrias em Tóquio ou Osaka.
Logística sob fogo
O Ministério da Defesa do Qatar confirmou que instalações críticas de energia foram alvejadas, enquanto imagens verificadas pela Al Jazeera mostraram colunas de fumaça em Ras Tanura, na Arábia Saudita.
A situação é agravada pelo gargalo logístico: cerca de um quinto do petróleo mundial e a maior parte do gás do Catar passam pelo Estreito de Ormuz, que agora se tornou uma zona de exclusão de fato para muitos transportadores.
“O Japão está em uma posição extremamente vulnerável“, afirmam analistas de energia. “Mesmo que o gás de Sakhalin continue fluindo, a logística global quebrada e a alta de 39% nos preços asiáticos significam que o custo de vida no Japão sofrerá um reajuste inevitável e severo nas próximas semanas”.
Fontes: Al Jazeera e Euronews 


