Um alto funcionário da Guarda Revolucionária Iraniana declarou na segunda-feira (2) que o Estreito de Ormuz está fechado e que o Irã abrirá fogo contra qualquer navio que tentar passar, conforme noticiado pela mídia iraniana.
Esta é a advertência mais explícita do Irã desde que anunciou no sábado (28) o fechamento da rota de exportação, uma medida que ameaça sufocar um quinto do fluxo global de petróleo e elevar drasticamente os preços do cru.
“O estreito (de Ormuz) está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da marinha regular incendiarão esses navios“, afirmou Ebrahim Jabari, conselheiro sênior do comandante-em-chefe da Guarda, em declarações divulgadas pela mídia estatal.
Importância estratégica e retaliação regional
O Estreito de Ormuz é a rota de exportação de petróleo mais vital do mundo, conectando os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico. Em seu ponto mais estreito, o estreito tem cerca de 33Km de largura.
O fechamento foi provocado por ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no dia 28 de fevereiro, visando derrubar seus líderes, com o presidente dos EUA, Donald Trump, oferecendo ajuda aos iranianos para depor os clérigos governantes.
Em resposta, o Irã disparou várias barragens de mísseis contra seus vizinhos do Golfo que abrigam bases militares dos EUA, como Catar, Kuwait e Bahrein. Teerã também disparou mísseis contra os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã.
Com este fechamento, Teerã cumpriu anos de ameaças de bloquear a estreita passagem em retaliação a qualquer ataque à República Islâmica. Cerca de 20% do consumo diário de petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz.
Impacto nos mercados e instabilidade global
Os mercados de petróleo têm focado nas tensões entre Teerã e seus antigos inimigos, os EUA e Israel, temendo que um conflito em grande escala possa interromper os suprimentos e desestabilizar a região.
A medida também ocorre após a navegação global já ter experimentado interrupções ligadas a ataques de drones e mísseis realizados por militantes Houthi do Iêmen, alinhados ao Irã.
O grupo tem visado embarcações no Mar Vermelho e no Golfo de Áden desde o início da guerra de Gaza em 2023.
Fonte: CNA



