O mercado financeiro do Japão viveu um dia de “tempestade” na quarta-feira (4). Sob o peso das incertezas geradas pela ofensiva militar de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o índice Nikkei 225 fechou em 54.245,54 ienes, uma retração avassaladora de 2.033,51 ienes (3,61%).
Esta marca já é registrada como a quinta maior queda em valores absolutos da história da bolsa japonesa.
O efeito dominó do conflito
A aversão global ao risco, que começou com a queda dos índices em Nova Iorque, espalhou-se rapidamente pela Ásia. No Japão, o sentimento é de vulnerabilidade extrema:
- Dependência energética: a alta nos preços do petróleo bruto atinge o coração da economia japonesa. Como o país depende de importações, o mercado teme uma explosão nos custos corporativos e uma queda acentuada no consumo doméstico.
- Venda generalizada: no índice TSE Prime, mais de 90% das ações fecharam no vermelho, evidenciando que nenhum setor está imune ao medo de um conflito prolongado.
Governo do Japão em alerta: “Acompanhamos com extrema atenção”
O impacto foi tão severo que o governo do Japão veio a público para tentar acalmar os ânimos, mas sem esconder a gravidade da situação.
O Secretário-Chefe do Gabinete, Minoru Kihara, em coletiva realizada na tarde de quarta-feira, sublinhou a postura vigilante do gabinete da primeira-ministra.
“Reconhecemos que estão ocorrendo grandes flutuações. O governo está acompanhando as tendências do mercado com extrema atenção“, afirmou Kihara.
O porta-voz destacou ainda que o Japão trabalhará de forma “flexível” com autoridades estrangeiras para garantir a estabilidade financeira e monitorar o impacto direto da crise no Oriente Médio sobre a economia real e os preços no Japão.
Japão: o que esperar?
Para as grandes corretoras de Tóquio, a incerteza é o maior inimigo. Enquanto o preço do barril de petróleo não encontrar um teto, as projeções para o desempenho das empresas japonesas continuarão sendo revistas para baixo. O TOPIX, que também recuou 3,67%, confirma que a crise não é apenas especulativa, mas sim um temor estrutural sobre o custo da energia no país.
Câmbio sob pressão: iene entre a segurança e a crise energética
No mercado de câmbio do Japão, o par dólar/iene reflete a dualidade do cenário atual.
Embora o iene tenha operado com certa volatilidade em torno de 157 ienes por dólar, a moeda japonesa enfrenta uma pressão contraditória: se por um lado atrai investidores que buscam segurança contra o risco geopolítico, por outro, sofre com o encarecimento do petróleo, que drena as reservas do Japão.
No Brasil, o movimento de aversão ao risco é ainda mais nítido, mantendo o dólar em patamares elevados acima de R$ 5,30, evidenciando a fuga de capitais dos mercados emergentes em direção à moeda americana, consolidada como o porto seguro definitivo desta crise.
Fontes: Yomiuri e NHK 


