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Playsson: Do Homi Danchi ao Brasil, a trajetória de um brasileiro que conquistou o trap japonês

Playsson compartilha sua jornada de transformação, amadurecimento e a importância da música em sua vida e identidade.

EP

Editorial Portal Mie

Atualizado em 06/03/2026

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Nascido em Minas Gerais e criado no Homi Danchi, no Japão, Playsson construiu uma trajetória marcada por escolhas difíceis, vivências intensas e muita transformação.

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Entre o underground, a realidade da comunidade brasileira em Toyota e a consolidação na cena do trap japonês, ele encontrou na música não só expressão, mas direção.

Hoje, vivendo um novo momento entre Brasil e Japão, o artista fala sobre identidade, responsabilidade, amadurecimento e os caminhos que moldaram sua história dentro e fora do palco.

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Portal Mie: Você nasceu em Minas Gerais e veio ainda jovem para o Japão. Quais são as lembranças mais fortes que você carrega do Brasil e como essa mudança influenciou sua identidade e sua música?
Playsson: Tenho muitas memórias boas. Eu era um moleque ativo, tinha muitas amizades, rodava a cidade inteira de bicicleta, jogava bola, andava de skate, estava sempre me movimentando. Mas as memórias ruins também são fortes. Mesmo com 13 anos eu já tinha uma certa vivência de rua no Brasil e perdi vários amigos.

Ir para o Japão fortaleceu ainda mais minha ligação com o underground. Por ser menos perigoso, talvez eu tenha conseguido canalizar isso na música. Não sei se foi bom ou ruim, mas acredito que foi o que me fez ser quem eu sou hoje.

Portal Mie: Crescer no Homi, em Toyota, marcou sua trajetória. O que aquele ambiente te ensinou sobre realidade, disciplina e visão de futuro?
Playsson: Amo muito o Homi, mas aquele danchi também me trouxe um choque de realidade. Eu não sabia que no Japão existia uma quebrada assim. Sempre me conectei com as pessoas de lá, mas também sempre tive a visão de me libertar e melhorar de vida.

Hoje faço o que posso para mostrar às crianças de lá que elas podem ser o que quiserem. Não é porque cresceram ali que estão predestinadas a terminar numa fábrica ou num genba.

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Portal Mie: Em que momento você percebeu que o rap deixou de ser apenas expressão e passou a ser um caminho profissional de verdade?
Playsson: Foram vários momentos que me levaram até isso. Com 20 anos, eu tinha acabado de sair do reformatório e a mãe dos meus dois primeiros filhos pediu para eu escolher entre ela ou o rap. Eu escolhi o rap porque pensei que fosse a única forma de garantir um futuro melhor para mim e para eles.

Depois, na pandemia, a maior parte da minha renda vinha de eventos. Quando tudo parou, eu voltei para a lama. Foi aí que investi no meu primeiro EP. Eu já tinha alguns pequenos hits, mas esse projeto marcou minha entrada de verdade na cena.

Mesmo assim, a ganância me levou de volta para as ruas. Depois de várias complicações, aos 24 anos eu decidi parar com tudo e focar só na música. Desde então me casei, tive mais um filho e minha responsabilidade com o rap como profissão só aumentou.

Portal Mie: Você rima em português e japonês. Essa mistura aconteceu naturalmente pela sua vivência ou foi uma escolha estratégica para alcançar dois públicos?
Playsson:: Nunca pensei em alcançar o público brasileiro. Meu foco sempre foi a cena do trap japonês. Misturar algumas palavras em português é mais uma questão de identidade. Eu me encaixei no meio dos japoneses, mas sempre tive orgulho de ser brasileiro.

Agora, morando no Brasil, talvez eu faça algo mais voltado para o público brasileiro.

Portal Mie: Como o trap japonês influenciou sua sonoridade? Teve algum artista da cena local que despertou algo diferente em você?
Playsson: Antes de virar rapper eu já curtia o rap do Japão. Comecei ouvindo Ozrosaurus, Anarchy, K-Dub Shine. Mas a grande referência para minhas músicas sempre foi o trap do Brasil.

Enquanto muitos rappers japoneses buscavam referências nos Estados Unidos, eu construí meu diferencial com base nas minhas raízes.

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Portal Mie: E olhando para fora, quais artistas do trap americano e do rap brasileiro mais impactaram a construção do seu estilo?
Playsson: Eu comecei no West Side, então minhas primeiras referências foram Tyga, YG, 2Pac. Um dos meus primeiros contatos com o trap foi quando fiz a abertura de um show do Costa Gold no Japão.

Depois veio a onda do Real Trap no Brasil e tive bastante influência de artistas como Borges, Daddy e Flacko, entre outros.

Portal Mie: No seu álbum “Jelly Beans 888” você mostrou uma sonoridade mais versátil e experimental. O que te levou a explorar novos caminhos nesse projeto?
Playsson: Esse ano completei 10 anos fazendo música. Comecei no West Side, virei referência no trap, casei, amadureci. Conforme minha vida muda, minha música acompanha.

Hoje eu não consigo mais escrever um Real Trap de rua ou algo mais vulgar, porque minha realidade é outra. Graças a Deus vivo muito bem e sou feliz com minha família. Então meu som reflete isso: progresso, positividade, amor.

Outra coisa que considero muito importante é a alegria do brasileiro. Quero continuar passando essa vibe para os japoneses.

Portal Mie: Você já enfrentou momentos difíceis fora da música. Essas experiências mudaram sua forma de escrever ou a maneira como você encara sua responsabilidade como artista?
Playsson: Momentos difíceis constroem a carreira de um real trapper. Não sou arrogante, mas posso garantir que o peso da minha experiência de vida é o que me mantém vivo na cena. Hit vem e vai, mas um rapper de verdade não se sustenta só nisso.

Portal Mie: Sendo um brasileiro que conquistou espaço na cena japonesa, você sente que representa uma comunidade maior? Existe esse peso ou isso acontece de forma natural?
Playsson:: Eu sinto que represento o Brasil no Japão, mas não sinto como um peso. É algo natural, vem do meu orgulho de ser brasileiro. Existem outros brasileiros na cena japonesa, mas acredito que eu seja o mais brasileiro de todos.

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Portal Mie: Hoje você está morando no Brasil, voltou ao Japão para uma turnê e agora começa a se aproximar mais do público brasileiro. Como está sendo esse novo momento? Você sente diferença na energia entre o público japonês e o brasileiro? E essa mudança de base altera sua forma de criar e se posicionar como artista?
Playsson: Criei um Instagram novo voltado para o público brasileiro, chamado “Gaijin 01”. O tema é “O Japão Real”. Estou falando sobre o underground e a realidade que muita gente não conhece. Talvez um dia o Gaijin 01 vire um rapper no Brasil, ainda não sabemos.

Mas o Playsson acredito que continuará o mesmo. Talvez eu alcance mais brasileiros por causa dessa conexão, mas meu foco ainda é a cena do Japão. As músicas continuam seguindo a rota natural do meu dia a dia. Ou seja, devem ficar cada vez mais abrasileiradas.

Agradecimentos
Gostaria de agradecer ao Portal Mie pelo convite para essa entrevista e desejar tudo de bom para os brasileiros que estão batalhando no Japão. Eu já vivi o lado trabalhador, underground e artista. O Japão é muito bom em algumas coisas e difícil em outras, mas nada tira o mérito da luta de quem está aqui. Por experiência própria, sei que não é para qualquer um. Muita força, muito progresso e que Deus abençoe. Tamo junto!

Contatos com Playsson
Facebook:
playsson_official
Instagram: japaoreal_gaijin01

Reportagem - Clayton Moraes – Fotógrafo & Colunista
Fotos – cedidas

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