A mídia iraniana noticiou, em 9 de março, que Mojtaba Khamenei, filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, foi eleito o novo líder supremo do Irã. Conhecido por sua postura conservadora e anti-americana, a ascensão de Mojtaba Khamenei pode inclinar o Irã a uma posição ainda mais intransigente no cenário internacional.
O ‘Conselho de Especialistas’, composto por 88 clérigos islâmicos, vinha trabalhando na seleção do sucessor desde a morte de Ali Khamenei. Mojtaba Khamenei era há muito tempo apontado como o candidato mais provável para o cargo.
De acordo com a mídia internacional, Mojtaba Khamenei, 56, nasceu em 1969. Seus pais e esposa foram mortos em ataques dos Estados Unidos e Israel que começaram em 28 de fevereiro. Mojtaba Khamenei é considerado um indivíduo com laços estreitos com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, a força militar de elite diretamente subordinada ao líder supremo.
Após sua eleição como líder supremo, a Guarda Revolucionária e o Exército iraniano expressaram sua lealdade a Mojtaba Khamenei em 9 de março. O jornal norte-americano The New York Times havia relatado em 3 de março que a Guarda Revolucionária apoiava Mojtaba Khamenei, afirmando que ele ‘possui as qualidades para guiar o Irã nesta era’.
Tensões internas e externas com a nova liderança
A escolha de um líder supremo linha-dura pode provocar a oposição de cidadãos críticos ao regime. A insatisfação com o governo iraniano tem crescido devido às dificuldades econômicas e à repressão, agravadas pelas sanções dos EUA. Quando Ali Khamenei foi morto, cidadãos foram vistos nas ruas da capital, Teerã, celebrando o ocorrido.
Havia também críticas de que Mojtaba Khamenei carecia de autoridade religiosa. No entanto, seu pai, Ali Khamenei, também só começou a se autodenominar ‘Aiatolá’, um estudioso islâmico de alto escalão, ao assumir o cargo de líder supremo.
Antes da eleição do sucessor do líder supremo, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia declarado que ‘o filho de Khamenei é inaceitável’. Ele defendia sua própria intervenção na eleição, com o objetivo de estabelecer um regime pró-EUA no Irã.
Israel tem afirmado que atacará qualquer que seja o sucessor de Ali Khamenei. Há uma possibilidade de que Israel ataque Mojtaba Khamenei no futuro. Em 8 de março, as Forças de Defesa de Israel usaram o X (antigo Twitter) para alertar os participantes do Conselho de Especialistas do Irã, que elege o líder supremo, dizendo em persa: ‘Vocês também serão alvos sem hesitação’. A mensagem sugeriu a intenção de continuar as operações militares para mudar o regime islâmico.
Além de Mojtaba Khamenei, outros nomes considerados para o cargo de líder supremo incluíam o aiatolá Alireza Arafi, membro do ‘Conselho Provisório’ (um conselho de liderança interino), e Hassan Khomeini, neto do primeiro líder supremo, aiatolá Ruhollah Khomeini.
Fonte: Nikkei