Um aumento nos preços do diesel surge como a primeira e mais imediata ameaça ao setor agrícola brasileiro devido aos ataques dos EUA e Israel ao Irã. Isso eleva os custos para os produtores que estão colhendo uma safra recorde de soja e plantando milho, atividades que não podem ser adiadas.
O Brasil importa cerca de 30% de suas necessidades de diesel, deixando os agricultores expostos à medida que os custos domésticos do combustível sobem junto com os preços globais do petróleo, afirmaram representantes de grandes grupos agrícolas.
O conflito ocorre em um momento sensível para a agricultura brasileira, quando a demanda por diesel está em seu pico. Os agricultores estão transportando soja para o mercado, colhendo os campos restantes e finalizando o plantio da segunda safra de milho, que responde pela maior parte do milho cultivado no país.
O Brasil é o maior exportador mundial de soja e um importante fornecedor de milho, tornando qualquer interrupção nas operações agrícolas significativa para os mercados globais de grãos. Essas atividades não podem ser adiadas, disseram autoridades do setor, nem outros trabalhos de campo, como a aplicação de fertilizantes e pesticidas, que também dependem fortemente do diesel.
Impacto direto nos custos de produção
‘No momento, a principal questão é o preço do diesel. Vimos o petróleo passar de cerca de 80 dólares para a faixa de 100 dólares por barril, e isso causou alarme no campo’, disse Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), à Reuters.
Os preços do petróleo saltaram acima de 119 dólares o barril na segunda-feira, antes de diminuir um pouco. Por volta das 14h, horário local, o petróleo Brent ainda subia mais de 7%, sendo negociado perto de 100 dólares o barril.
A alta nos preços do diesel já está sendo sentida, embora a Petrobras, que abastece a maior parte do mercado, ainda não tenha alterado seus preços. Os agricultores também relataram problemas de entrega de diesel no Rio Grande do Sul, com alguns fornecedores supostamente restringindo as vendas, à medida que os preços mais altos do petróleo elevam os custos.
Preocupação imediata com o combustível
Lucchi disse que custos mais altos ou interrupções nas importações de fertilizantes nitrogenados do Irã, devido aos riscos no Estreito de Ormuz, eram gerenciáveis por enquanto, porque os agricultores já haviam garantido suprimentos para a temporada atual e poderiam atrasar novas compras.
O diesel, no entanto, é um problema imediato. Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), disse que os produtores precisam de combustível agora para manter o trabalho de campo em andamento. Diesel e lubrificantes geralmente respondem por cerca de 5% dos custos operacionais agrícolas, disse ele.
Lucchi afirmou ter recebido relatos de preços de bomba subindo cerca de 1 Real por litro nas regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil, com alguns casos chegando a 1,5 Real.
Fonte: Reuters