A Volkswagen anunciou na terça-feira (10) que planeja cortar 50 mil empregos na Alemanha até 2030.
A medida drástica surge em um momento em que o lucro da gigante automobilística alemã atingiu seu nível mais baixo desde 2016, refletindo uma série de desafios globais.
Em uma carta aos acionistas, incluída no relatório anual da empresa, o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, confirmou os cortes.
“No total, cerca de 50 mil empregos deverão ser cortados até 2030 em todo o Grupo Volkswagen na Alemanha”, afirmou Blume, destacando a abrangência da reestruturação.
O grupo, que engloba 10 marcas, já havia chegado a um acordo com os sindicatos no final de 2024 para cortar 35 mil empregos até 2030, principalmente em sua marca homônima. Essa iniciativa fazia parte de um plano maior para economizar 15 bilhões de euros por ano.
Os cortes nas marcas premium e desafios globais
Os cortes adicionais, agora anunciados, afetarão as marcas premium Audi e Porsche, além da subsidiária de software da Volkswagen, a Cariad, conforme detalhado por Blume. A decisão sublinha a pressão para otimizar operações e custos em todas as frentes.
Mesmo antes de o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, impor tarifas sobre montadoras não americanas no ano passado, a maior fabricante de automóveis da Europa já enfrentava uma “tempestade perfeita” de problemas.
Entre eles, a demanda estagnada na Europa, os altos custos de investimento em veículos elétricos (apesar da demanda irregular) e uma acentuada queda nas vendas na China.
Tradicionalmente o maior player no mercado chinês, o maior do mundo, a Volkswagen tem lutado contra a concorrência feroz de rivais locais como BYD e Geely, que superaram suas vendas na região, indicando uma mudança significativa no cenário automotivo asiático.
Resultados financeiros e histórico negativo
A Volkswagen reportou que seus lucros após impostos caíram cerca de 44% no ano passado.
As tarifas dos EUA, a intensa concorrência na China e uma custosa reformulação de sua fabricante de carros esportivos, a Porsche, foram fatores que impactaram negativamente o desempenho.
Com 6,9 bilhões de euros (US$8 bilhões), os lucros foram os mais baixos desde 2016, ano em que o grupo incorreu em bilhões de encargos únicos devido a recalls e problemas legais relacionados à fraude nos testes de emissões de diesel.
Fonte: CNA



