O governo do Japão deu mais um passo para reduzir sua dependência da China no fornecimento de terras raras, minerais essenciais para a produção de tecnologias modernas. No dia 9, a agência japonesa JOGMEC (Organização de Segurança Energética e Metais do Japão) assinou um memorando de entendimento com o estado de Goiás, no Brasil, para cooperação em mineração e fornecimento desses recursos.
O acordo prevê colaboração em pesquisa, investimentos e desenvolvimento da cadeia de suprimentos de minerais estratégicos, incluindo terras raras utilizadas na fabricação de motores elétricos, semicondutores e equipamentos eletrônicos.
A parceria surge em meio a uma corrida global por fontes alternativas de terras raras, já que muitos países buscam reduzir a dependência da China, que domina grande parte da produção e do processamento desses minerais e frequentemente os utiliza como instrumento de influência geopolítica.
Brasil possui uma das maiores reservas do mundo
Segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas de reservas de terras raras, o que coloca o país como o segundo maior do mundo, atrás apenas da China.
Esse volume é mais de dez vezes maior que o dos Estados Unidos e representa cerca de um quarto das reservas globais conhecidas. Apesar disso, a produção em larga escala ainda é limitada.
No estado de Goiás, um grande projeto de mineração de terras raras começou a operar em 2024, explorando minerais como neodímio e praseodímio, essenciais para motores de alta eficiência e equipamentos tecnológicos.
Disputa internacional por minerais estratégicos
O interesse internacional no potencial mineral brasileiro tem aumentado rapidamente.
Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos anunciou um acordo para investir mais de 500 milhões de dólares (cerca de 780 bilhões de ienes) em projetos de mineração no estado de Goiás.
A União Europeia também busca fortalecer sua cadeia de fornecimento de minerais críticos. Durante visita ao Brasil em janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu maior cooperação no setor mineral.
Além disso, o bloco negocia com o Mercosul um acordo comercial que inclui a eliminação de tarifas sobre minerais estratégicos.
Brasil busca atrair investimentos e desenvolver indústria
O governo brasileiro também demonstra interesse em ampliar parcerias internacionais para desenvolver o setor mineral e industrial do país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem promovido acordos com diferentes países para atrair investimentos e estimular o processamento local de minerais estratégicos.
Em fevereiro, durante visita à Índia, o Brasil firmou um acordo de cooperação envolvendo exploração, mineração e tecnologia no setor de minerais críticos.
Posteriormente, o governo brasileiro também assinou um memorando semelhante com a Coreia do Sul, incentivando empresas sul-coreanas a investir em projetos de mineração no país.
Com o aumento da demanda global por tecnologias verdes, veículos elétricos e equipamentos eletrônicos, especialistas avaliam que as terras raras brasileiras podem se tornar cada vez mais estratégicas para a economia mundial.
Fonte: Nikkei