Dois pesquisadores brasileiros foram premiados internacionalmente em 2026 por suas contribuições revolucionárias na neurociência, especialmente em relação ao Alzheimer.
O foco das pesquisas vai além da busca pela cura, concentrando-se em entender a realidade da população brasileira e em antecipar o diagnóstico em décadas.
Os premiados e suas instituições
- Mychael Lourenço (UFRJ): recebeu o ALBA-Roche Prize for Excellence. Ele lidera o Lourenço Lab, focado em entender por que o cérebro se torna vulnerável e como a “limpeza” celular (sistema de proteassoma) falha no Alzheimer.
- Wagner Brum (UFRGS): jovem talento premiado pela Alzheimer’s Association como o “Next One to Watch”. Pesquisador do Zimmer Lab, seu trabalho foca na implementação clínica de exames de sangue para diagnóstico.
O desafio dos dados sobre Alzheimer no Brasil
Mychael Lourenço alerta para uma lacuna crítica: a maioria dos estudos globais é feita com populações do Hemisfério Norte.
- Realidade nacional: estima-se que 2 milhões de brasileiros vivam com Alzheimer, muitos sem diagnóstico devido à falta de acesso à saúde.
- Resiliência cognitiva: a pesquisa busca entender por que algumas pessoas idosas (como a atriz Fernanda Montenegro, citada pelo pesquisador) permanecem lúcidas mesmo com a presença de proteínas que normalmente causariam a doença.
A revolução do diagnóstico precoce
O trabalho de Wagner Brum é fundamental para tornar o diagnóstico acessível e menos invasivo.
- Proteína p-tau217: o foco é um exame de sangue que detecta este biomarcador. Atualmente, os testes precisos dependem de punção na coluna (líquor) ou tomografias caríssimas (PET-CT).
- Protocolo de leitura: Brum desenvolveu os padrões para que médicos saibam interpretar os resultados do exame de sangue, identificando quem tem a doença e quem precisa de testes adicionais (cerca de 20% a 30% dos casos).
Objetivo: o SUS
O grande foco dos pesquisadores é levar essas tecnologias para a rede pública brasileira.
- Janela de oportunidade: o Alzheimer começa a se desenvolver muito antes dos primeiros lapsos de memória. Detectar a doença nessa fase permite intervenções que podem impedir danos irreversíveis.
- Próximos passos: testes em larga escala já começaram no Rio Grande do Sul e serão expandidos para todo o Brasil para comprovar a eficácia do exame de sangue no sistema público.
| Linha de Pesquisa | Objetivo Principal |
| Biomarcadores no Sangue | Substituir exames caros e invasivos por um simples teste laboratorial. |
| Limpeza Celular | Estimular as células a “degradar o lixo” (proteínas tau e beta-amiloide). |
| Diagnóstico Pré-Sintomático | Identificar a doença décadas antes da perda de memória. |
Fonte: Agência Brasil 


