As Filipinas declararam estado de emergência energética nacional em resposta ao conflito entre EUA-Israel e Irã.
A medida reflete a crescente tensão na Ásia, onde o conflito no Oriente Médio está sufocando a entrega de petróleo e ameaçando uma crise energética generalizada.
O presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., afirmou que a guerra em curso ameaça diretamente “a disponibilidade e a estabilidade do fornecimento de energia do país”.
Dependência externa e medidas de controle
As Filipinas, que importam 98% do seu petróleo do Golfo, tornaram-se o primeiro país a declarar emergência energética após os preços locais do diesel e da gasolina terem mais do que dobrado no país desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
A declaração de emergência permite ao governo filipino controlar os preços dos combustíveis e agilizar as importações de fornecedores alternativos, como a Rússia.
As autoridades filipinas garantem ter combustível suficiente para aproximadamente 45 dias de consumo normal.
A situação nas Filipinas segue-se a ações semelhantes em outros países asiáticos
Um dia antes, a Coreia do Sul lançou uma campanha nacional de economia de energia, incentivando o uso de bicicletas para viagens curtas e a redução do tempo de banho.
O Japão, por sua vez, anunciou na quarta-feira (25) que começaria a liberar petróleo de sua reserva de emergência, o equivalente a um suprimento para 30 dias.
Tailândia e Vietnã também pediram aos seus cidadãos que tomassem medidas para reduzir o consumo de energia.
O alerta da AIE
A gravidade da crise foi sublinhada por Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE). Ele declarou no início desta semana que a atual crise do petróleo superou o efeito combinado dos choques energéticos globais da década de 1970.
Em um evento em Canberra, na Austrália, Birol alertou que a economia global enfrenta uma “grande, grande ameaça“, e que nenhum país estaria “imune aos efeitos desta crise se ela continuar nesta direção”.
Os preços globais do petróleo dispararam nas últimas semanas após o conflito ter provocado o fechamento do Estreito de Ormuz, uma via navegável crítica para a entrega de petróleo.
Este estreito facilita o transporte de cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo bruto, totalizando aproximadamente 20 milhões de barris por dia.
O Estreito de Ormuz é a única rota de navegação que se estende do Golfo Pérsico ao oceano aberto, tornando-o um centro de tráfego vital para petróleo e gás originários do Golfo e destinados, em grande parte, aos mercados asiáticos.
Segundo a AIE, cerca de 80% do petróleo que normalmente passa pelo estreito tem como destino a Ásia.
Fonte: ABC News



