Um tribunal francês condenou na quinta-feira (26) o chileno Nicolas Zepeda, de 35 anos, à prisão perpétua pelo assassinato de sua ex-namorada japonesa, Narumi Kurosaki, de 21, em 2016.
A decisão, proferida na cidade de Lyon, aumenta a pena imposta em julgamentos anteriores, no mais recente veredito do caso do corpo desaparecido.
O tribunal considerou Zepeda culpado “além de qualquer dúvida” pelo assassinato premeditado da estudante na cidade de Besançon, no leste da França.
Detido desde sua extradição do Chile em 2020 e sempre alegando inocência, Zepeda ouviu o veredito com o rosto entre as mãos. Seu advogado afirmou que apelará à mais alta corte do país.
Na primeira fila, a mãe da vítima, acompanhada pelas irmãs de Kurosaki, segurava e tocava suavemente uma foto da jovem.
O tribunal de Lyon determinou que Zepeda assassinou sua ex-namorada na noite de 4 de dezembro de 2016, “por asfixia”, de acordo com o veredito lido pelo juiz presidente Eric Chalbos.
Um tribunal de primeira instância havia condenado o chileno a 28 anos de prisão em 2022, e um tribunal de apelação manteve essa decisão em 2023.
No entanto, a mais alta corte da França ordenou um novo julgamento no ano passado, alegando que os investigadores haviam retido provas da equipe de defesa de Zepeda.
O histórico do caso
Zepeda e Kurosaki iniciaram um relacionamento romântico em 2014 no Japão, onde o chileno estava estudando.
A promotoria argumentou que ele não conseguiu suportar o término do relacionamento, que ela o deixasse para continuar seus estudos na França no verão de 2016, e que ela se apaixonasse por outro estudante.
Após persegui-la online e enviar-lhe um vídeo ameaçador, ele viajou do Chile para a França sem avisá-la, conforme revelou a investigação.
Ele a espionou por quatro dias e três noites, de acordo com testemunhas e imagens de vigilância, antes de convidá-la para um restaurante e retornar ao quarto dela na noite de seu desaparecimento.
O desaparecimento e as evidências no quarto
Kurosaki foi vista pela última vez em imagens de vídeo de vigilância em seu dormitório em 4 de dezembro de 2016. Seu corpo nunca foi encontrado.
Investigadores encontraram sua carteira contendo €565, cartões de crédito, um telefone celular, um passe de transporte, um casaco de inverno e sapatos em seu quarto.
O réu admitiu em tribunal que permaneceu no quarto dela por mais de 24 horas, conforme revelado por dados de geolocalização de seu celular e carro alugado.
Indícios de premeditação e ocultação
A investigação mostrou que Zepeda havia comprado anteriormente um galão de líquido inflamável, fósforos e um borrifador contendo alvejante e detergente.
O promotor público Vincent Auger argumentou que isso demonstrava premeditação, mesmo que ele provavelmente tenha decidido descartar o corpo dela no rio Doubs, nas proximidades, em vez de usar os materiais inflamáveis.
Cinco dias depois, Zepeda comprou uma passagem de trem em nome de Kurosaki para uma viagem à cidade vizinha de Lyon. A promotoria argumentou que ele também enviou mensagens de suas contas de e-mail e redes sociais para tranquilizar amigos e parentes, embora ele tenha negado ter feito isso.
Ele finalmente retornou ao Chile no final do mesmo mês, após passar um tempo na cidade espanhola de Barcelona.
Fonte: Le Monde



