Uma equipe de pesquisadores no Japão desvendou o mecanismo pelo qual o ácido cafeico, um polifenol encontrado no café, suprime o crescimento de células de câncer colorretal.
Essa descoberta oferece uma nova esperança para o desenvolvimento de estratégias de tratamento e prevenção da doença.
Pesquisas epidemiológicas recentes já haviam apontado uma ligação entre o consumo de café e a redução do risco de desenvolver câncer colorretal. No entanto, os componentes específicos do café responsáveis por esse efeito e como eles atuavam no corpo não estavam claros.
A ação do ácido cafeico e a proteína RPS5
Os pesquisadores, incluindo Motoki Watanabe da Escola de Graduação de Ciências Médicas da Universidade Provincial de Quioto de Medicina e Shogen Boku do Departmento de Oncologia Clínica na Universidade Médica de Kansai, concentraram-se no fato de que polifenóis como o ácido clorogênico, abundante no café, são decompostos por hidrólise nos intestinos e existem como ácido cafeico.
Eles então analisaram o que o ácido cafeico faz às células de câncer colorretal em nível molecular.
Inicialmente, a equipe confirmou que a adição de ácido cafeico às células de câncer colorretal suprimiu significativamente a formação de “colônias” de células cancerígenas.
Além disso, eles descobriram que o ácido cafeico se liga a uma proteína chamada RPS5, que é conhecida por estar associada a um prognóstico desfavorável de recuperação em pacientes com câncer colorretal.
O bloqueio do ciclo celular
Avançando na pesquisa, os cientistas observaram que a supressão da expressão de RPS5 — o processo em que a informação genética é transformada em uma função — fez com que o ciclo celular das células cancerígenas parasse no estágio preparatório, antes da cópia do seu DNA.
Tanto a adição de ácido cafeico quanto a supressão da expressão de RPS5 limitaram a expressão de uma proteína chamada ciclina D1, que é crucial para impulsionar as células através do ciclo de crescimento.
A análise da equipe sugere que a RPS5 regula a quantidade de ciclina D1 controlando a quantidade de RNA mensageiro produzido a partir dos genes. Esse tipo de controle é conhecido como “regulação pós-transcricional”.
Perspectivas terapêuticas e cautela
Em conjunto, essas descobertas indicam um mecanismo molecular no qual o ácido cafeico se liga diretamente à RPS5, bloqueando sua função e reduzindo os níveis de ciclina D1 para inibir o crescimento das células de câncer colorretal.
Watanabe expressou a esperança de que as descobertas “levem a derivados baseados na estrutura do ácido cafeico e ao desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e tratamento do câncer, visando a RPS5″.
Ao mesmo tempo, ele alertou: “Esta é principalmente uma pesquisa básica, utilizando experimentos com células, e não mostra diretamente uma relação entre a ingestão de café e a prevenção do câncer colorretal.
O café também contém cafeína e outros componentes, e pode não ser adequado para a constituição de todos. Beber café em quantidades excessivamente grandes não é recomendado”.
As descobertas dos pesquisadores japoneses foram publicadas no jornal científico britânico Scientific Reports em 5 de março.
Fonte: MN



