Fujiarte - Empregos no Japão - Trabalhe com segurança
Portal Mie PORTAL MIE

Do baixo herdado do pai aos palcos no Japão: a trajetória de Rafael Sakura

O músico Rafael Sakura reflete sobre sua carreira, a transição para os vocais e a importância da música em sua vida no Japão, superando desafios.

EP

Editorial Portal Mie

⏱ 6min de leitura
Konishi Sangyo - Empregos no Japão

Do interior de São Paulo aos palcos no Japão, Rafael Sakura construiu uma trajetória marcada por adaptação, persistência e paixão pela música.

UT SURI-EMU - Empregos seguros no Japão
Publicidade

Contrabaixista de origem, ele expandiu seus horizontes ao assumir também os vocais e encarar novos desafios fora do Brasil. Em meio à rotina de trabalho e à vida no exterior, a música segue como seu ponto de equilíbrio e expressão.

Nesta entrevista ao Portal Mie, Rafael relembra sua caminhada, fala sobre o cenário musical no Japão e compartilha aprendizados de quem segue firme, mesmo diante das mudanças da vida.

Do baixo herdado do pai aos palcos no Japão: a trajetória de Rafael Sakura

Portal Mie: Como a música entrou na sua vida e o que te levou a escolher o contrabaixo como ponto de partida?
Rafael Sakura: Foi influência do meu pai; em meados de 2003, ele cantava em uma banda de rock chamada “Inox”. Eles estavam com dificuldades de encontrar um baixista, então meu pai decidiu comprar um baixo e tentar aprender, mas desistiu depois de algumas aulas.

Com um instrumento novinho parado em casa, fiquei interessado em aprender e meu pai me matriculou numa escola de música. Três meses depois, eu já estava ensaiando com a banda do meu pai. Eu tinha 14 anos na época.

Portal Mie: Em que momento você sentiu que poderia ir além do instrumento e assumir também os vocais?
Rafael Sakura: Em 2012 eu me tornei pai, e com isso veio a necessidade de ampliar meus horizontes musicais e levar minha carreira a um nível mais sério e profissional.

Na região em que eu morava (interior de São Paulo) havia um cenário bem limitado para bandas de rock, então resolvi fazer acústicos, voz e violão, que tinham um mercado bem mais amplo.

Do baixo herdado do pai aos palcos no Japão: a trajetória de Rafael Sakura

Portal Mie: Quais foram as bandas e projetos que mais marcaram sua trajetória até aqui?
Rafael Sakura: Por ordem cronológica:
Banda “INOX” (2003–2006): banda do meu pai, meu primeiro contato com palco e com músicos experientes.
Banda “BOTOXY” (2007–2012): foi com essa banda que tive experiências mais profissionais e me fez querer ter a música como profissão.
Projeto “ROCK N 2” (2014–2017): considero o auge da minha carreira no Brasil; começou como um duo, mas acabou crescendo e se tornando um trio.
Banda “SAKURA” (2018–atualmente): minha banda atual aqui no Japão. Passamos por uma reformulação depois do COVID, com mudanças no nome, formação e estilo, mas hoje estamos firmes, marcando presença em diversas casas e eventos da comunidade brasileira.

Portal Mie: Como foi o processo de adaptação ao cenário musical no Japão?
Rafael Sakura: Não foi tão difícil quanto eu pensava. O cenário musical aqui no Japão é bem parecido com o do Brasil. Acho até que os músicos daqui são mais unidos, mas o mercado sofreu bastante com a pandemia e demorou um pouco para voltar ao normal.

Do baixo herdado do pai aos palcos no Japão: a trajetória de Rafael Sakura

Portal Mie: Você sente diferença entre o público brasileiro aqui e no Brasil?
Rafael Sakura: Bastante. Os brasileiros daqui são de regiões diferentes do Brasil, o que faz o público ser mais diversificado e eclético. Além disso, aqui no Japão temos a oportunidade de tocar para pessoas de várias nacionalidades, e isso é muito legal.

Portal Mie: De que forma sua formação em Psicologia influencia sua visão como músico?
Rafael Sakura: A psicologia me ajudou muito na parte de composição. Tenho diversas músicas que abordam questões psicológicas, duas já foram lançadas e estão disponíveis em todas as plataformas digitais, e tenho outras em produção. Também me ajudou a entender melhor o público e a conexão das pessoas com a música.

Do baixo herdado do pai aos palcos no Japão: a trajetória de Rafael Sakura

Portal Mie: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou nessa caminhada?
Rafael Sakura: O maior desafio está relacionado ao estilo musical. Hoje o rock não tem um mercado tão forte (embora esteja melhorando), então é difícil conquistar espaço e público. Isso vale tanto aqui no Japão quanto no Brasil. No Brasil, ainda tem a questão financeira, já que equipamentos são caros e os cachês não acompanham.

Portal Mie: Teve algum momento decisivo que fez você repensar sua carreira?
Rafael Sakura: Tive dois momentos. Em 2006, quando estava terminando o ensino médio, eu pretendia fazer faculdade de música, mas fui desencorajado por músicos experientes e acabei deixando a música como plano B, optando pela psicologia.

Depois, em 2016, minha carreira estava estagnada, então fiz um curso de music business para aprender a gerenciar minha carreira de forma mais profissional. Percebi que estava cometendo muitos erros e precisava recomeçar. Foi aí que decidi me mudar para o Japão. O plano era ficar cinco anos, mas acabamos estendendo por tempo indeterminado.

Do baixo herdado do pai aos palcos no Japão: a trajetória de Rafael Sakura

Portal Mie: Como você enxerga hoje o espaço para músicos brasileiros no Japão?
Rafael Sakura: Moro no Japão há 8 anos e, na minha percepção, o cenário hoje está muito bom para os brasileiros. Existem muitos eventos e casas com portas abertas para músicos de todos os estilos. Mas o pessoal mais antigo comenta que antigamente era ainda melhor.

Portal Mie: O que ainda te move na música depois de tudo que já viveu?
Rafael Sakura: Hoje minha profissão principal é operário de fábrica, mas ainda considero a música como minha verdadeira profissão. Não me vejo abrindo mão dela. Para mim, a música é uma terapia, e sempre que subo ao palco renovo toda minha energia.

Portal Mie: Existem novos projetos ou planos que você pode adiantar?
Rafael Sakura: Acabei de fechar um contrato com uma produtora no Brasil, então em breve teremos música nova com uma produção bem caprichada. Além disso, a banda Sakura estreou um novo baterista, estamos reformulando o repertório e vem muita coisa legal esse ano.

Do baixo herdado do pai aos palcos no Japão: a trajetória de Rafael Sakura

Portal Mie: Que conselho você daria pra quem está começando agora, especialmente fora do Brasil?
Rafael Sakura: Não tente agradar todo mundo. Não tenha medo de críticas, mas também não as ignore, pois elas ajudam na evolução. Busque ser original, defina seu estilo e conheça bem o público que você quer conquistar.

Agradecimentos:
Gostaria de agradecer de coração todo o apoio que a comunidade brasileira vem me dando nesses 8 anos no Japão. Aos músicos que estão comigo hoje e a todos que fizeram parte da minha trajetória. Aos produtores de eventos e donos de bares que me abriram suas portas, e claro, à minha família, que sempre me apoiou. – Rafael Sakura.

Contatos com Rafael Sakura
Instagram: rafael_sakura
Facebook: rafael_sakura

Reportagem - Clayton Moraes – Fotógrafo & Colunista
Fotos – cedidas

+ lidas agora

em alta
Seguidores
10.529

Curta o Portal Mie no Facebook

Receba novidades e destaques direto no seu feed.