O Japão irá estabelecer uma nova unidade de defesa focada no Pacífico e expandir a vigilância e a infraestrutura em áreas de ilhas remotas. A medida faz parte dos esforços para conter a crescente presença militar da China, conforme anunciado por autoridades japonesas.
O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, declarou no sábado (28) que o Ministério da Defesa criará um “Escritório de Planejamento de Defesa do Pacífico” em abril. Ele citou o que descreveu como lacunas na atual cobertura de defesa do Japão em vastas zonas aéreas e marítimas do Pacífico.
Falando após participar de uma cerimônia conjunta EUA-Japão em Iwo Jima, Koizumi afirmou que o fortalecimento das defesas do Pacífico é uma prioridade urgente.
A mídia japonesa relatou que Tóquio planeja uma revisão abrangente da estrutura e do desdobramento das Forças de Autodefesa. A iniciativa será refletida nas revisões planejadas de documentos-chave de segurança nacional, incluindo a Estratégia de Segurança Nacional, ainda este ano.
Reforço de infraestrutura e vigilância
O governo também planeja expandir as instalações portuárias e as redes de radar em todo o Pacífico, particularmente nas Ilhas Ogasawara, que as autoridades consideram estrategicamente vulneráveis.
Cerca de 400 militares das Forças de Autodefesa estão atualmente estacionados em Iwo Jima, mas as águas costeiras rasas limitam a capacidade de grandes embarcações de atracar. As autoridades planejam iniciar estudos de viabilidade no próximo ano para modernizar a infraestrutura portuária e estabelecer sistemas de suprimento de combustível e munição para apoiar o rápido desdobramento de jatos de combate. O reforço da pista e medidas para lidar com riscos vulcânicos também estão em revisão.
O Japão também está considerando estabelecer uma zona de identificação de defesa aérea sobre as Ilhas Ogasawara, onde tal zona não foi formalmente definida desde a Segunda Guerra Mundial, deixando o que as autoridades descrevem como uma lacuna de vigilância. O Ministério da Defesa planeja implantar sistemas de radar móveis e construir uma rede de monitoramento permanente na área.
Aumento da atividade chinesa e aliança com os EUA
Essas ações ocorrem em meio ao aumento da atividade naval chinesa no Pacífico. O porta-aviões chinês Liaoning entrou no Pacífico além da chamada “segunda cadeia de ilhas” pela primeira vez no ano passado, e houve casos de desdobramentos simultâneos de porta-aviões. Autoridades japonesas também citaram incidentes envolvendo aeronaves chinesas rastreando aviões militares japoneses perto de Okinawa.
Koizumi disse que o aprofundamento da aliança EUA-Japão será fundamental para manter a estabilidade regional, acrescentando que o novo escritório servirá como um centro para reorganizar a postura de defesa do Japão no Pacífico.
Iwo Jima, local de uma das batalhas mais ferozes da Segunda Guerra Mundial, continua sendo uma localização estratégica. Quase 29 mil baixas foram registradas lá durante a batalha de 1945 entre forças dos EUA e japonesas.
Hoje, está sendo reposicionada como uma base avançada chave na estratégia de defesa em evolução do Japão.
Fonte: Upi