O Japão tem testemunhado um aumento significativo de instrutores e guias de esqui estrangeiros operando ilegalmente, uma tendência alarmante impulsionada pelo crescimento do turismo de inverno.
Essa situação tem gerado grande preocupação entre governos locais e empresas estabelecidas em províncias como Hokkaido, Nagano e Niigata.
Muitos desses trabalhadores não autorizados entram no país com vistos de turista de curta duração ou vistos de férias-trabalho, mas falham em se registrar nas escolas de esqui locais.
Eles frequentemente operam através de agências estrangeiras e recebem pagamentos não rastreáveis por meio de plataformas internacionais como WeChat Pay e Alipay, criando uma economia “por baixo dos panos”.
Essa prática não apenas perturba a ordem social e cria uma concorrência desleal para negócios legítimos – que arcam com os custos de impostos e patrocínios de vistos – mas também levanta sérias questões de segurança.
Muitos desses instrutores carecem de credenciais profissionais e cobertura de seguro, expondo os esquiadores a riscos desnecessários.
Medidas de combate e desafios na fiscalização
Para combater essa crescente onda de ilegalidade, alguns resorts têm implementado medidas mais rigorosas.
Em Yuzawa (Niigata), por exemplo, foi adotado um sistema de registro que verifica o status do visto e o seguro dos instrutores. Já no Rusutsu Resort (Hokkaido), são realizadas verificações de passes corporativos para identificar trabalhadores não autorizados.
Líderes da indústria formaram alianças para pressionar por uma melhor proteção dos operadores legais, destacando que os trabalhadores ilegais frequentemente exploram as melhores condições da alta temporada, levando seus ganhos para o exterior sem contribuir para a economia local.
No entanto, a fiscalização permanece um desafio complexo, pois os indivíduos muitas vezes alegam estar ensinando amigos para evitar intervenções das autoridades.
Novas preocupações e riscos adicionais
Há uma crescente preocupação de que uma recente proposta governamental para aumentar significativamente as taxas de processamento de vistos possa, inadvertidamente, incentivar ainda mais o trabalho ilegal.
Isso ocorreria ao tornar o caminho legal financeiramente mais oneroso para pequenas empresas e trabalhadores sazonais.
A questão é ainda mais complicada pelo número desproporcionalmente alto de operações de busca e resgate envolvendo esquiadores estrangeiros em áreas de backcountry (isoladas).
Esse fato sublinha os perigos potenciais de atividades sem guia ou supervisionadas de forma inadequada, frequentemente associadas a instrutores sem credenciais e seguro.
Fonte: JT



