A confusão no fornecimento de nafta, um produto petrolífero essencial para a fabricação de necessidades diárias, persiste em meio às crescentes tensões no Oriente Médio.
Essa situação levanta sérias preocupações sobre seu impacto generalizado nas indústrias e lares japoneses.
A nafta é produzida através da destilação do petróleo bruto, juntamente com gasolina, óleo diesel e óleo combustível.
Ao ser aquecida a mais de 800 graus Celsius, ela se decompõe em produtos químicos básicos, que são então transformados em matérias-primas cruciais para a produção de plásticos, fibras químicas, borracha, tintas e adesivos.
O Japão depende significativamente do Oriente Médio para seu suprimento de nafta. Aproximadamente 40% do consumo de nafta no país é proveniente de importações da região.
Além disso, cerca de 40% da nafta produzida internamente é refinada a partir de petróleo bruto, também majoritariamente originário do Oriente Médio.
Bloqueios marítimos e a escassez de insumos industriais
Consequentemente, as preocupações com o abastecimento aumentaram rapidamente quando o Irã efetivamente bloqueou o Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital.
Embora o governo japonês enfatize que o país garantiu os suprimentos de petróleo necessários, algumas partes da complexa rede de abastecimento já apresentam paralisações.
Em uma reunião com ministros relacionados na sexta-feira (10), a primeira-ministra Sanae Takaichi os instruiu a abordar as preocupações com o fornecimento, com atenção especial à disponibilidade de diluente para tintas, um item crítico afetado pela instabilidade.
O thinner, essencial na pintura de peças automotivas e na impermeabilização de casas, tem visto restrições de envio por parte dos fabricantes e, em alguns casos, sido revendido a preços elevados.
Reajustes de preços e o impacto nos bens de consumo
Desde meados de março, diversas empresas anunciaram aumentos nos preços de produtos derivados de nafta. A Sanipak, com sede em Tóquio, por exemplo, elevará os preços de sacos de lixo e outros itens em cerca de 30% a partir do final de maio, sinalizando a possibilidade de novas revisões.
Outras companhias também seguiram o movimento: a Gunze, fabricante de filmes para embalagens de alimentos, e a Teijin, produtora de fibra de poliéster para vestuário, já implementaram reajustes.
A Kuraray, por sua vez, aumentou em 10% o preço de seu couro artificial Clarino, material amplamente utilizado em mochilas escolares.
Incerteza global e o peso no orçamento familiar
A causa principal desses aumentos é a persistente incerteza no mercado global de petróleo. Embora os Estados Unidos e o Irã tenham concordado com um cessar-fogo de duas semanas, a normalização do fornecimento de petróleo ainda é questionável.
Mesmo com a eventual restauração das entregas, há temores de que os preços permaneçam elevados.
Takahide Kiuchi, economista executivo do Nomura Research Institute, estima que os aumentos nos produtos à base de nafta elevarão a carga anual sobre uma família de quatro pessoas em ¥22.500 a ¥35.100.
“Os preços ao consumidor devem subir temporariamente em quase 1%”, afirmou Kiuchi, alertando para o impacto direto no bolso dos cidadãos.
Fonte: NP



