A primeira-ministra Sanae Takaichi declarou na quarta-feira (20) que deseja implementar o congelamento do imposto sobre consumo de produtos alimentícios “o mais rápido possível”.
A medida é proposta apesar das crescentes preocupações com a saúde fiscal do Japão em meio à crise no Oriente Médio.
Durante um debate parlamentar, Takaichi afirmou que o governo fará o possível para limitar a emissão de dívidas para apoiar a população. O governo planeja elaborar um orçamento suplementar devido ao receio de que a crise atual cause um impacto econômico prolongado.
Os comentários surgiram em um momento em que os rendimentos dos títulos do governo japonês atingiram o nível mais alto em quase 30 anos, refletindo expectativas de inflação acelerada e temores sobre a situação fiscal do país.
Debates e articulações políticas
O questionamento foi liderado por Yuichiro Tamaki, chefe do Partido Democrático para o Povo (PDP), cujo partido detém o maior número de assentos na oposição. O debate, modelado no formato britânico, não ocorria há cerca de três anos.
A sessão focou na decisão de Takaichi de revisar a formulação de um orçamento suplementar, apenas um mês após o Japão promulgar um orçamento recorde de 122,31 trilhões de ienes para o ano fiscal de 2026.
Sobre o congelamento do imposto, a primeira-ministra aguarda o relatório de um conselho nacional multipartidário previsto para este verão.
A proposta enfrenta críticas, com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) classificando a medida como “custosa e sem foco”, recomendando um aumento gradual do imposto.
Takaichi também comentou sobre os subsídios para manter o preço da gasolina abaixo de 170 ienes por litro, política que deve esgotar seu fundo de 1 trilhão de ienes até o final de junho. Outros pontos abordados incluíram:
- A diplomacia com a China, com Takaichi apoiando o diálogo após a visita do presidente Donald Trump ao país vizinho.
- A postura de Junya Ogawa, líder da Aliança de Reforma Centrista, que criticou a lentidão do governo.
- Questões sobre política de inteligência artificial levantadas por Takahiro Anno, líder do Team Mirai.
O debate contou ainda com a participação de Toshiko Takeya, do Komeito, e Sohei Kamiya, do partido Sanseito, encerrando uma sessão de 45 minutos marcada pela fragmentação da oposição.
Fonte: JT



