O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar anunciou no dia 27 que o número de vítimas de insolação no ambiente de trabalho em 2025 atingiu 1.803 pessoas, um recorde desde o início das estatísticas em 2005. O setor de trabalho braçal e atividades ao ar livre foi o mais afetado. Relatos coletados por organizações de apoio revelam que trabalhadores em posições vulneráveis enfrentam riscos desproporcionais e têm dificuldade em comunicar problemas de saúde.
Um homem, 50, que trabalhava como diarista, foi dispensado por um intermediário de mão de obra após sofrer insolação em um canteiro de obras no verão de 2024. O intermediário alegou que ele ‘prejudicou o trabalho’. Após a demissão, o homem perdeu o alojamento da empresa e passou a viver nas ruas. Ao questionar outros intermediários sobre a falta de ofertas, descobriu que existia uma ‘lista negra’ compartilhada entre eles, onde o histórico de ter sofrido insolação impedia novas contratações.
Vulnerabilidade e falta de suporte
O caso foi reportado à organização sem fins lucrativos Toimikke. O representante da entidade aponta que a instabilidade empregatícia cria um ambiente onde o trabalhador evita relatar mal-estar, o que pode levar a quadros graves.
Em março, o governo estabeleceu diretrizes para prevenir a insolação, recomendando pausas, hidratação e aclimatação ao calor. No entanto, a organização alerta que trabalhadores informais enfrentam riscos mesmo fora do horário de serviço. Muitos, para economizar com estadias em cibercafés, passam o dia sob sol forte em parques, muitas vezes sem recursos para comprar bebidas, o que compromete a saúde antes mesmo do início do turno.
O meteorologista Masamitsu Morita analisa que o aumento das temperaturas nos últimos três anos é um fenômeno de ‘uma vez a cada 30 anos’, indicando que o calor extremo se tornou uma constante devido às mudanças climáticas.
Ele enfatiza que, como não é possível interromper o trabalho durante todo o verão, cabe aos empregadores fornecer equipamentos como roupas com ventilação e criar áreas de sombra.
Fonte: Tokyo Shimbun



