O Japão registra o menor tempo médio de sono entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com apenas 7 horas e 42 minutos por noite, segundo dados da entidade.
Diante do aumento das preocupações com a privação de sono, hospitais e organizações privadas estão ampliando iniciativas para combater o problema, incluindo a criação de departamentos especializados em distúrbios do sono e programas voltados para crianças.
Em Sapporo (Hokkaido), um homem na faixa dos 40 anos recebe tratamento para síndrome da apneia do sono, condição que o afetava há anos. Segundo ele, apesar de dormir entre oito e nove horas por noite, nunca acordava descansado.
O tratamento utiliza um aparelho bucal que posiciona a mandíbula para frente durante o sono, reduzindo o ronco e as interrupções na respiração.
Estima-se que uma em cada cinco pessoas no Japão sofra com falta de sono. O Hospital Moiwa Tokushukai, em Sapporo, prepara a criação de um novo departamento especializado em distúrbios do sono.
O diretor da instituição, Yasunobu Ushirohira, afirmou que muitos pacientes não sabem qual especialidade médica procurar, o que dificulta o acesso ao tratamento adequado.
Novo departamento busca facilitar diagnóstico
Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, cerca de 8,65 milhões de pessoas sofrem de distúrbios do sono, como apneia e insônia.
Uma pesquisa da Sociedade Japonesa de Pesquisa do Sono mostrou que 58% dos entrevistados relataram problemas relacionados ao sono, mas apenas 14% buscaram atendimento médico.
Para facilitar o acesso ao tratamento, o governo revisou as regras em junho e passou a permitir que hospitais incluam a expressão “distúrbio do sono” nos nomes de departamentos exibidos em placas e anúncios.
O Hospital Moiwa Tokushukai substituirá sua atual clínica de ronco e apneia por um Departamento de Medicina Cardiovascular e Distúrbios do Sono, permitindo avaliar simultaneamente problemas de sono e doenças cardiovasculares, frequentemente associadas.
Crianças também são alvo de programas de prevenção
As iniciativas para melhorar a qualidade do sono também estão chegando às crianças.
Em uma instalação esportiva educacional de Sapporo voltada para jovens de 3 a 12 anos, os participantes praticam diferentes modalidades, como ginástica e basquete, com o objetivo de desenvolver não apenas a aptidão física, mas também hábitos saudáveis de sono.
Os exercícios combinam atividades físicas e cognitivas para estimular um descanso mais profundo.
Especialistas afirmam que os primeiros 12 anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento de hábitos de sono saudáveis e para o crescimento cerebral.
Uma pesquisa do Ministério da Saúde revelou ainda que 27% das pessoas entre 20 e 59 anos disseram que o sono oferece pouca ou nenhuma recuperação da fadiga, indicando que quase três em cada dez adultos em idade produtiva não conseguem descansar adequadamente.
O cenário tem impulsionado a expansão de serviços especializados e programas preventivos em todo o país.
Fonte: NOJ, HBC



