Diante da desaceleração global na demanda por carros elétricos, as montadoras apostam cada vez mais na produção mista de modelos.
Essa estratégia permite fabricar veículos com diferentes tipos de motorização — como elétricos (VEs), híbridos e a combustão (MCI) — em uma mesmíssima linha de montagem.
O movimento da Subaru no Japão
Recentemente, a Subaru abriu as portas da planta Yajima em Ota (Gunma) para apresentar uma linha de produção altamente adaptável.
O maquinário que acopla o conjunto mecânico ao chassi foi projetado para manipular tanto motores a combustão quanto propulsores elétricos. Além disso, o sistema de suspensão aérea das carrocerias ajusta-se automaticamente ao comprimento de cada modelo.
Atualmente focada em VEs, a linha receberá modelos a combustão a partir do terceiro trimestre deste ano (verão no hemisfério norte).
O objetivo inicial é acelerar o fornecimento do Subaru Forester, o SUV principal da marca que registra forte sucesso de vendas tanto no Japão quanto no mercado internacional.
“O ritmo de mudança no ambiente de negócios é inimaginável”, destaca Ikuo Watanabe, vice-presidente executivo e diretor de manufatura da Subaru. “Ao buscarmos a flexibilidade de forma rigorosa, conseguimos alcançar uma produção eficiente e maior competitividade.”
A Subaru projeta adotar o sistema de dois turnos para ampliar o volume de fabricação na segunda metade do ano.
Futuramente, a ideia é integrar as operações com a unidade dos EUA, criando uma rede flexível capaz de mitigar os impactos de oscilações de mercado, variações cambiais e novas tarifas ou regulamentações ambientais.
Modernização da planta de Yajima
A transição exigiu uma verdadeira metamorfose na fábrica de Yajima. A Subaru realizou uma reforma de seis meses a partir de agosto de 2025 para adaptar a linha e converter um prédio existente em uma unidade dedicada à montagem de baterias.
Após reiniciar os trabalhos em fevereiro deste ano focada apenas em elétricos — como o Subaru Trailseeker e seu “irmão gêmeo”, o Toyota bZ4X Touring —, o layout do complexo foi reconfigurado em maio para habilitar a produção mista.
Atualmente, as robustas baterias dos VEs (que superam os 500 kg) são movidas de forma automatizada de um prédio ao outro, e a automação total da instalação nos chassis está prevista para agosto.
A unidade de Yajima opera hoje com duas linhas: a recém-modernizada e outra dedicada exclusivamente a modelos a combustão (como Forester e Outback).
Próximos passos: o futuro da fábrica de Oizumi
A visão de longo prazo da Subaru aponta para a nova planta em Oizumi, localizada a cerca de 4 km do complexo de Yajima, com inauguração prevista entre 2028 e 2029.
Originalmente projetada para ser exclusiva de veículos 100% elétricos, a estratégia foi recalibrada devido ao cenário atual do mercado: a fábrica começará produzindo modelos a combustão e híbridos.
O plano é atingir o patamar de “produção ultraeficiente” por meio de tecnologias de ponta, incluindo inteligência artificial (IA) física, atualizações de funções via software e manufatura modular de autopeças.
Tendência de mercado
A Subaru não está sozinha nessa virada estratégica. A Mazda também finaliza a instalação de uma linha flexível em sua fábrica na província de Yamaguchi, capaz de alternar dinamicamente a montagem de carros a gasolina, híbridos e elétricos conforme a flutuação da demanda dos consumidores.
Fontes: NHK e NetDenJd 


