Com as altas temperaturas do verão japonês, o ar-condicionado se torna essencial para evitar problemas de saúde e manter a casa confortável. Entretanto, algumas regulagens inadequadas podem aumentar consideravelmente o consumo de eletricidade.
A boa notícia é que pequenas mudanças na temperatura, na ventilação e na manutenção do aparelho ajudam a reduzir a conta de energia sem abrir mão da segurança.
Um dos principais cuidados é não confundir a temperatura indicada no controle remoto com a temperatura real do ambiente. O Ministério do Meio Ambiente do Japão recomenda que a temperatura interna fique em torno de 28°C, desde que isso seja confortável e seguro.
Esse número é apenas uma referência e deve ser ajustado conforme a umidade, a incidência do sol, as condições da residência e o estado de saúde dos moradores.
Em dias muito quentes, idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com problemas de saúde não devem suportar calor excessivo apenas para economizar eletricidade. Um termômetro colocado dentro do cômodo ajuda a verificar a temperatura real.
Caso o ambiente continue abafado, a regulagem pode ser reduzida gradualmente até que fique confortável.
Como regular o ar-condicionado
Comece entre 26°C e 28°C — temperatura (温度): ajuste a temperatura de acordo com o calor, a umidade e o conforto dos moradores. Nos controles japoneses, os botões para aumentar ou diminuir a temperatura também podem aparecer como 温度設定.
Use a ventilação automática — ventilação automática (風量自動): o modo automático resfria o cômodo mais rapidamente e reduz a intensidade depois que a temperatura desejada é alcançada. Em alguns aparelhos, essa opção aparece apenas como 自動.
Direcione o vento para cima — direção do vento (風向): como o ar frio desce naturalmente, ajuste as aletas para uma posição horizontal ou levemente elevada. O botão que movimenta automaticamente as aletas pode aparecer como 風向 ou スイング.
Utilize o modo desumidificador com atenção — desumidificação (除湿): ele pode melhorar o conforto em dias úmidos, mas nem sempre consome menos eletricidade. O gasto depende do modelo e do tipo de desumidificação. Em alguns controles, essa função também aparece como ドライ.
Evite selecionar sempre a ventilação fraca — ventilação fraca (風量・弱): o aparelho pode demorar mais para resfriar o ambiente e manter o compressor funcionando por mais tempo. A intensidade fraca costuma aparecer como 弱, enquanto a forte pode ser indicada por 強.
A regulagem automática da ventilação costuma ser mais eficiente do que deixar o aparelho permanentemente no modo fraco. Em uma experiência divulgada pela fabricante Daikin, o modo automático consumiu cerca de 30% menos eletricidade do que a ventilação fraca durante o período analisado.
O resultado pode variar conforme o aparelho, a residência e as condições climáticas, mas mostra que reduzir a força do vento manualmente nem sempre representa economia.
Também é importante evitar o hábito de diminuir drasticamente a temperatura para tentar resfriar a casa mais rápido. Selecionar 18°C ou 20°C não faz necessariamente o aparelho produzir ar frio com maior velocidade.
Em muitos modelos, isso apenas mantém o compressor funcionando intensamente por mais tempo. O mais indicado é escolher uma temperatura confortável e deixar a ventilação no automático.
Medidas para diminuir a conta de energia
- Limpe os filtros a cada duas semanas: o acúmulo de poeira reduz a passagem do ar e força o equipamento. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a limpeza pode reduzir em aproximadamente 4% o consumo durante a refrigeração.
- Feche cortinas e persianas: bloquear a luz solar, principalmente nas janelas voltadas para o oeste, impede que o cômodo aqueça rapidamente.
- Use ventilador ou circulador de ar: o movimento do ar melhora a sensação térmica e distribui o frescor pelo ambiente.
- Mantenha portas e janelas fechadas: frestas e aberturas permitem a entrada contínua de ar quente.
- Não bloqueie a unidade externa: caixas, plantas e objetos próximos à saída de ar prejudicam a liberação do calor.
- Faça sombra sobre a unidade externa: um protetor instalado sem bloquear a ventilação pode reduzir o aquecimento provocado pelo sol direto.
- Evite aparelhos que produzem calor: fornos, secadoras e lâmpadas antigas aumentam a temperatura interna.
- Refrigere apenas os cômodos ocupados: mantenha fechadas as portas dos espaços que não estão sendo utilizados.
A Agência de Recursos Naturais e Energia informa que, em uma simulação com uso diário de nove horas, aumentar a regulagem da refrigeração de 27°C para 28°C poderia representar uma economia anual aproximada de 30,24 kWh e ¥940.
Reduzir o funcionamento em uma hora por dia também poderia economizar cerca de 18,78 kWh e ¥580 por ano. Os valores são estimativas e variam conforme o modelo do aparelho, a tarifa contratada, o tamanho da residência e o período de utilização.
Desligar o aparelho durante ausências prolongadas ajuda a economizar, mas ficar ligando e desligando em intervalos muito curtos pode elevar o consumo, pois o equipamento utiliza mais energia para resfriar novamente um ambiente quente.
O ideal é avaliar o tempo de ausência, as características do imóvel e as instruções do fabricante. Acima de tudo, a economia não deve colocar a saúde em risco: durante ondas de calor, o ar-condicionado deve ser utilizado sempre que houver risco de insolação.
Fontes: Ministério do Meio Ambiente do Japão, Agência de Recursos Naturais e Energia do Japão, Daikin e TEPCO.



