
À esq. presidente Santiago Peña e à dir. presidente Lula em 2024 (Gov. Paraguai)
No amanhecer de segunda-feira (31), horário de Brasília, uma matéria publicada pelo UOL, causou indignação, sobre a espionagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sobre o hackeamento das contas e documentos de pessoas do governo do Paraguai (presidente, congresso e senado), sobre a negociação das tarifas de energia da usina hidrelétrica de Itaipu.
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Segundo a matéria que repercutiu imediatamente nos dois países, a operação começou no governo Bolsonaro, mas teve o aval do atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, ex-diretor da Polícia Federal, nomeado por Lula, para ser executado.
De acordo com a matéria, a ação foi descrita em detalhes por um servidor da Abin envolvido durante depoimento à Polícia Federal. Um segundo agente da mesma agência também falou à PF sobre a existência da operação efetuada meses antes do fechamento de um novo acordo sobre os valores pagos por energia ao Paraguai, em maio de 2024.
Para essa ação, os hackers se deslocaram do Brasil para outros países da América do Sul para não deixar rastros em solo verde amarelo. Pelo menos 6 autoridades do governo do Paraguai teriam tido seus computadores hackeados para obtenção do “anexo C”do tratado de divisão de energia elétrica entre Brasil e Paraguai, pois o país vizinho vende o seu excedente para o governo verde amarelo.
Abin fez espionagem para negociação das tarifas

Itaipu Binacional (reprodução)
A operação, usando o programa Cobalt Strike, ocorreu meses antes de um novo acordo firmado entre o Brasil e o Paraguai em maio de 2024, já sob o governo de Santiago Peña, para revisão das tarifas de energia.
Em relação a essa espionagem da Abin, o governo Lula reiterou seu compromisso com o respeito e a transparência nas relações com o Paraguai e Mercosul, assegurando que não permitirá que esse tipo de prática continue sob sua administração, destacou um jornal paraguaio.
Do lado paraguaio, as autoridades foram convocadas pelo presidente Peña na primeira hora para esclarecimento desse assunto que soou como uma bomba, causando indignação na imprensa local que repercutiu a matéria publicada no UOL.
“O acerto entre os dois países que operam a usina hidrelétrica Itaipu binacional ficou definido em uma tarifa de US$ 19,28 até 2026. Pelo lado brasileiro, a tarifa está mantida em US$ 16,71, viabilizando o valor final de venda pela Aneel (R$ 205 MWh)”, informou o Ministério de Minas e Energia do Brasil, em 7 de maio de 2024.
Fontes: UOL, Diário do Poder, O Antagonista, La Nueva Voz Digital e Diário do Estado