Autismo diagnosticado mais tarde na vida pode ter forma diferente, diz estudo
Depois de comparar os perfis genéticos de milhares de pessoas com autismo na Dinamarca e nos Estados Unidos, os pesquisadores determinaram que havia diferenças genéticas significativas entre aqueles diagnosticados mais cedo ou mais tarde.

Resultados de pesquisa internacional indicam que o diagnóstico tardio de autismo pode representar uma condição distinta (imagem ilustrativa/PM)
Pessoas que recebem o diagnóstico de autismo mais tarde na vida podem ter uma forma diferente da condição em relação àquelas diagnosticadas durante a infância, afirmou um amplo estudo na quarta-feira (1º).
Os resultados surgem enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, e seu secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., continuam a espalhar desinformação sobre autismo, afirmando que há uma “epidemia” de casos e alegando ligações infundadas com vacinas e paracetamol.
A nova pesquisa indica ter “mais um suporte para a hipótese de que o termo abrangente ‘autismo’ descreve múltiplos fenômenos” que afetam as pessoas de maneira diferente.
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Conduzido por uma grande equipe internacional de pesquisadores, o estudo buscou responder a uma questão importante para entender o autismo.
Existe diferença entre os casos diagnosticados na infância e aqueles diagnosticados muito mais tarde, após os 10 anos de idade?
Por muito tempo, o autismo foi considerado uma condição diagnosticada em crianças pequenas. Contudo, à medida que a forma de diagnosticar autismo tem se expandido nas últimas décadas, a condição tem sido cada vez mais identificada em pessoas mais velhas.
Os pesquisadores indicam duas teorias que podem explicar a diferença entre esses dois grupos.
Uma é que todas as pessoas com autismo têm perfil genético semelhante, mas algumas não são diagnosticadas na infância porque seus sintomas podem ser mais brandos ou sutis, tornando-se mais visíveis apenas posteriormente.
A outra explicação pode ser que o autismo diagnosticado durante a infância e mais tarde são, na verdade, formas diferentes da condição. O estudo, publicado na revista Nature, apoia a última teoria.
Depois de comparar os perfis genéticos de milhares de pessoas com autismo na Dinamarca e nos Estados Unidos, os pesquisadores determinaram que havia diferenças genéticas significativas entre aqueles diagnosticados mais cedo ou mais tarde.
“Pessoas diagnosticadas com autismo mais tarde na vida são geneticamente mais semelhantes àquelas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH),” disse Thomas Bourgeron, coautor do estudo e pesquisador do Instituto Pasteur da França, à AFP.
Os diagnosticados mais tarde na vida também parecem ter maior risco de condições de saúde mental como depressão, segundo o estudo.
Pessoas com autismo são “muito diferentes umas das outras,” enfatizou Bourgeron, pedindo que cada paciente receba um tratamento adaptado às suas necessidades particulares.
Fonte: CNA







