
Crescimento da população estrangeira no Japão gera debate político (ilustrativa/banco de imagens)
O Japão está caminhando para uma população estrangeira de 10% de forma muito mais rápida do que as projeções oficiais, com dezenas de municípios já ultrapassando esse limite e uma vila relatando que mais de um terço de seus residentes são cidadãos estrangeiros.
Um instituto de pesquisa nacional estimou que os estrangeiros representariam 10,8% da população do Japão até 2070. No entanto, uma análise dos dados do Registro Básico de Residentes mostra que essa mudança já está bem encaminhada em nível local.
Em janeiro de 2025, 27 municípios tinham proporções de residentes estrangeiros acima de 10%, liderados pela vila de Shimukappu (Hokkaido), com 36,6%.
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A tendência sugere que a transição em todo o país pode chegar muito antes do previsto, levantando questões sobre como a vida cotidiana mudará em um país há muito definido pela homogeneidade demográfica.
Realidades Locais em Aichi
Em Tobishima, na província de Aichi (centro do Japão), uma comunidade de 4.713 habitantes com vista para a Baía de Ise, os residentes estrangeiros somavam 501 em janeiro do ano passado, representando 10,6% da população.
Perto do Porto de Nagoia, em uma fábrica que produz peças para equipamentos de refrigeração. 4 de seus 21 funcionários são vietnamitas.
O presidente da empresa, de 73 anos, diz que a presença deles é essencial. “Eles são um ativo valioso, um tesouro”, afirmou. “Se eles saíssem, a empresa não sobreviveria.”
Ele explicou que os jovens japoneses se mudaram para as cidades grandes, dificultando o recrutamento local.
Mesmo quando contratados, alguns japoneses saem em menos de um ano. “Ter jovens trabalhadores japoneses seria muito preferível, mas simplesmente não é viável. Não tivemos escolha”, disse.
Dados e Projeções Aceleradas
Dados de 1.892 municípios mostram que altas concentrações de estrangeiros estão em áreas industriais e turísticas. Shimukappu, que abriga a área do resort Tomamu, registrou 582 estrangeiros em uma população de 1.590.
Outras áreas com mais de 20% incluem Akaigawa e Kutchan (Hokkaido), o distrito de Ikuno (Osaka) e a cidade de Oizumi (Gunma).
No final de 2024, o número de residentes estrangeiros em todo o país era de 3,76 milhões, um aumento de 350 mil em relação ao ano anterior — o maior aumento anual já registrado.
O Instituto Nacional de Pesquisa de População e Segurança Social previa que os 10% seriam atingidos em 2070.
No entanto, o ex-ministro da Justiça, Keisuke Suzuki, afirmou em julho passado que o Japão deve assumir que esse número será ultrapassado por volta de 2040 — cerca de 30 anos antes da estimativa inicial.
Debate Político e Coexistência
A escassez de mão de obra deve se intensificar, com a população em idade ativa (15 a 64 anos) projetada para diminuir em 15 milhões entre 2020 e 2040. Mesmo um aumento súbito na taxa de natalidade não seria suficiente para compensar o déficit.
Essa mudança demográfica alimenta o debate político. O governo de coalizão da primeira-ministra Sanae Takaichi, junto com o Partido da Inovação do Japão (Ishin), pediu controles mais rígidos, citando ansiedade pública sobre o descumprimento de regras.
Por outro lado, especialistas como Tsukasa Sasai, professor de demografia na Universidade Provincial de Fukui, argumentam que a coexistência é inevitável.
“O Japão já é uma sociedade que não pode sobreviver sem a coexistência com estrangeiros”, disse ele. “Criar um ambiente onde eles possam se estabelecer com sucesso traria benefícios significativos para a sociedade japonesa.”







