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Alerta no Japão: uso de medicamento de diabetes para emagrecer preocupa especialistas

| Saúde, Bem-Estar e Cotidiano

No Japão, jovens estão usando um medicamento para diabetes tipo 2, Mounjaro, para emagrecimento rápido, impulsionadas por redes sociais. Médicos alertam para riscos graves e efeitos colaterais.

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Quais são os perigos reais de usar um remédio para diabetes sem indicação médica? (ilustrativa/banco de imagens)

Um medicamento para diabetes tipo 2, aprovado pelo Ministério da Saúde do Japão, está sendo utilizado por jovens que buscam uma rápida perda de peso.

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Essa tendência crescente, impulsionada pela promoção nas redes sociais, tem levado médicos a alertar sobre os graves riscos à saúde associados ao uso “off-label” (fora da indicação aprovada).

Muitos usuários (as) adquirem a medicação online após consultas mínimas, e alguns relatam efeitos colaterais severos. Especialistas expressam preocupação com a influência generalizada de valores focados na aparência, que se espalham por plataformas digitais e mídias.

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Pressão social e a influência das redes digitais

Uma mulher na faixa dos 20 anos, que trabalha em um clube de cabaré em Osaka, revelou ter descoberto o medicamento, vendido sob a marca Mounjaro, após ver uma influenciadora descrever sua própria perda de peso no TikTok.

Curiosa e ansiosa para emagrecer ainda mais, ela visitou o site de uma clínica que oferecia a medicação e completou uma consulta por telefone.

O medicamento foi enviado diretamente para ela. Após usá-lo, ela pesava 42Kg para uma altura de 1,60m, colocando-a abaixo de um índice de massa corporal (IMC) de 18,5, classificando-a como abaixo do peso.

Ainda assim, ela afirmou que a pressão de seu trabalho moldou suas escolhas: “Sinto que preciso me manter o mais magra possível porque meu trabalho foca muito na aparência”.

Outra mulher, uma funcionária de escritório de 35 anos, também começou a usar o medicamento após decidir que queria perder peso antes de seu casamento.

Ela disse ter sido influenciada por uma enfermeira de uma clínica de beleza que postou nas redes sociais que havia emagrecido com sucesso usando a mesma medicação. Encorajada pela postagem, a mulher visitou a clínica pessoalmente e recebeu uma prescrição.

A Professora Keiko Kishimoto, especialista em farmacologia social na Showa Medical University e que estuda o uso apropriado de produtos farmacêuticos, afirmou que a crescente dependência de consultas online e por telefone limita a capacidade dos médicos de avaliar com precisão as condições de saúde dos pacientes.

Efeitos colaterais e a falta de amparo legal

Uma terceira mulher, de 22 anos, que também trabalha em um clube de cabaré, relatou ter apresentado sintomas assustadores após sua primeira injeção e decidiu parar imediatamente.

“Foi tão desconfortável que uma vez foi o suficiente”, disse ela. “As pessoas não deveriam tomar isso casualmente”. Ela relatou náuseas, febre leve e sentimentos de depressão que persistiram por cerca de três dias.

Seu apetite diminuiu drasticamente, e ela disse que houve dias em que só conseguia comer metade de um pequeno bloco de tofu.

Kishimoto alertou que pessoas que usam o medicamento para fins não aprovados devem estar cientes de que podem não se qualificar para suporte sob o Sistema de Serviços de Apoio para Efeitos Adversos à Saúde, que é destinado a pacientes que sofrem efeitos colaterais enquanto tomam medicamentos para tratamento médico legítimo.

As empresas farmacêuticas também emitiram lembretes de que a segurança e eficácia do medicamento permanecem não confirmadas fora da terapia para diabetes.

Yoshifumi Tamura, diretor executivo do My Well Body Council, que promove a aceitação de diversos tipos de corpo, disse que os jovens precisam estar cientes de que as imagens nas redes sociais e na mídia convencional são frequentemente editadas ou seletivas.

“O conteúdo online e da mídia pode ser distorcido, e as pessoas precisam entender que nem sempre reflete a realidade”, disse ele. “Isso já está sendo ensinado em escolas nos EUA e na Europa, e o Japão também precisa de aulas no nível de educação obrigatória para ajudar os alunos a entender sua própria imagem corporal e apreciar uma variedade de formas corporais”.

Fonte: MN

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