Assassino de Shinzo Abe recorre da condenação à prisão perpétua
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Condenado pela morte de Shinzo Abe apelou da sentença. A defesa citou a infância trágica e o abuso religioso da mãe.

Yamagami contesta condenação pela morte de Abe (imagem ilustrativa/PM)
Tetsuya Yamagami, condenado à prisão perpétua pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe em 2022, apelou da sentença para um tribunal superior.
A informação foi confirmada por um oficial do Tribunal Distrital de Nara na quarta-feira (4), que era o prazo final para a apresentação do recurso.
De acordo com relatos da mídia nacional, citando fontes informadas, Yamagami concordou em apelar após forte persuasão de seus advogados. A sentença de prisão perpétua foi proferida no dia 21 de janeiro de 2026 pelo tribunal de Nara.
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Yamagami foi condenado por matar o ex-primeiro-ministro com uma arma caseira durante um comício de campanha do influente político em Nara, em julho de 2022.
Argumentos de defesa e motivação
A sentença de prisão perpétua estava em linha com o que os promotores haviam solicitado.
A equipe de defesa, que não contestou os fatos básicos em torno do assassinato ocorrido em plena luz do dia, havia pedido que a sentença de Yamagami fosse limitada a 20 anos ou menos, argumentando que seu cliente merecia uma chance de recomeçar na sociedade.
No julgamento com júri popular, que começou em outubro de 2025, Yamagami afirmou que a fé cega de sua mãe na Igreja da Unificação e suas doações intermináveis à organização destruíram sua família. Isso o levou a querer alvejar Abe, a quem ele considerava um aliado do grupo religioso.
A equipe de defesa buscou clemência para Yamagami, alegando que ele foi vítima de abuso religioso por parte de sua mãe.
Decisão judicial e contexto religioso
A mãe de Yamagami permanece fiel ao grupo controverso, formalmente conhecido como Federação das Famílias para a Paz e Unificação Mundial, e conhecido por casamentos em massa, bem como por atividades agressivas de arrecadação de fundos.
Os juízes do julgamento reconheceram a infância trágica de Yamagami em sua decisão, mas afirmaram que isso não constituía motivo para clemência.
Eles decidiram que ele era um adulto independente e plenamente consciente da natureza antissocial de matar alguém — um ponto com o qual os advogados de defesa expressaram forte insatisfação após a decisão.
Realidade do sistema prisional japonês
No Japão, a prisão perpétua sem liberdade condicional não existe. Os condenados a essa pena podem ser elegíveis para liberdade condicional após cumprirem 10 anos.
No entanto, na realidade, poucos são libertados em liberdade condicional, segundo o Ministério da Justiça.
Em 2024, dos 1.650 condenados cumprindo prisão perpétua, apenas um foi libertado em liberdade condicional após cumprir quase 38 anos, enquanto 32 morreram na prisão. A média de tempo que os condenados à prisão perpétua passaram na prisão era de 38 anos e um mês naquele ano.







