Ato de vandalismo contra estátua de diplomata japonês gera preocupação em Los Angeles
O monumento a Chiune Sugihara, conhecido por emitir ‘vistos para a vida’ a refugiados judeus na Segunda Guerra, foi desfigurado, gerando alerta sobre o antissemitismo.

Ato de vandalismo em monumento a Chiune Sugihara (imagem ilustrativa/PM)
A estátua de Chiune Sugihara (1900-1986), o diplomata japonês que emitiu vistos de trânsito para muitos refugiados judeus durante a Segunda Guerra Mundial, foi vandalizada com tinta vermelha em Little Tokyo, no centro de Los Angeles, neste mês.
O ato de vandalismo foi descoberto na tarde de 7 de fevereiro (horário local) por Michael Okamura, presidente da Little Tokyo Historical Society.
Tinta vermelha foi pulverizada sobre toda a cabeça da estátua, e acredita-se que o incidente tenha ocorrido entre os dias 6 e 7 de fevereiro. Embora já houvesse registros de pichações anteriores, esta foi a primeira vez que os danos atingiram tal gravidade.
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Embora as circunstâncias exatas ainda não estejam claras, há uma forte preocupação de que a estátua de Sugihara, que salvou vidas judaicas, possa ter sido alvo de um crime de ódio.
Este incidente ocorre em meio ao aumento do antissemitismo, impulsionado pelos ataques de Israel a Gaza, em territórios palestinos.
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Restauração e o legado dos “vistos para a vida”
A estátua foi prontamente limpa e restaurada ao seu estado original até 19 de fevereiro, graças à ação das autoridades municipais e de Abraham Cooper, reitor associado do Simon Wiesenthal Center, uma organização judaica de direitos humanos.
Construída em 2002 por cidadãos judeus locais, a estátua de Sugihara em Los Angeles homenageia suas conquistas ao emitir “vistos para a vida” para inúmeros refugiados judeus, por iniciativa própria, enquanto atuava como cônsul em exercício na Lituânia.
Sobre o recente incidente, o Consulado-Geral do Japão em Los Angeles comentou: “Estamos monitorando a situação por vários canais e continuaremos a acompanhar de perto”.
Quem foi Chiune Sugihara
Nascido em 1900 na província de Gifu, Chiune Sugihara atuou como cônsul em exercício no Consulado Japonês em Kaunas, Lituânia, a partir de 1939.
Em 1940, desafiando a política governamental, ele emitiu vistos de trânsito para refugiados judeus que fugiam da Polônia, invadida pela Alemanha Nazista e pela União Soviética.
A lista de emissão de vistos, preservada nos Arquivos Diplomáticos do Ministério das Relações Exteriores, contém 2.140 entradas. Em 1984, o Yad Vashem, centro nacional de memória do Holocausto de Israel, concedeu a Sugihara o título de “Justo entre as Nações”, honraria dada a não judeus que salvaram vidas judaicas.
Fonte: MN







