Índice da corrupção: Brasil piora e Japão entre os 30 melhores países
A Transparência Internacional divulgou o Índice de Percepção da Corrupção 2025. Veja os países menos corruptos e os piores.

Foto ilustrativa (PM)
Mesmo os países democráticos mais famosos do mundo estão deslizando na corrupção, conforme mostra o relatório do Índice de Percepção da Corrupção 2025 (IPC).
Nesse índice, o Brasil obteve 35 pontos, ocupando a 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados, enquanto a média global foi de 42/100 pontos.
O IPC é um levantamento anual da Transparência Internacional e um dos principais indicadores globais sobre corrupção no setor público.
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Os dados são padronizados estatisticamente e convertidos para uma escala de 0 a 100, em que 0 indica pior percepção de corrupção e 100 indica melhor percepção de integridade pública.
O resultado mantém o Brasil em um patamar historicamente baixo, reforçando uma trajetória marcada por fragilidade institucional, baixa efetividade dos mecanismos de integridade e dificuldades persistentes de controle da corrupção no setor público.
“‘Na América Latina, a corrupção tem permitido que o crime organizado se infiltre na política’, alertou a Transparência Internacional. Até mesmo Costa Rica (56) e Uruguai (73), antes considerados exemplos de democracia na região, enfrentam pressões semelhantes às de Colômbia (37), México (27) e Brasil (35)”, destacou o DW.
A Venezuela (10), país descrito como autocracia absoluta, ficou entre os 3 países com mais corrupção no mundo, com apenas um ponto favorável dos piores, Somália e Sudão do Sul.
Os principais pontos a serem destacados em relação ao Brasil são:
- na média global, permanece abaixo do desempenho médio
- países com nível de renda semelhante, o desempenho brasileiro é inferior
- em sua própria série histórica, o país não apresenta recuperação consistente desde os piores resultados registrados na última década
Desde 2012, início da série do IPC, o Brasil oscila dentro de uma faixa restrita, sem conseguir sustentar avanços estruturais capazes de alterar sua posição relativa no ranking internacional.

Do vermelho ao marrom, os países com os piores índices (reprodução)
Na série histórica, o Brasil pontuou melhor em 2012 e 2014 (com 43 pontos, no governo Dilma Rousseff), em 2013 (42 pontos) e 2016 (40 pontos). As piores pontuações do país foram registradas em 2024 (34 pontos, governo Lula), 2018 (governo Michel Temer) e 2019 (35 pontos, governo Jair Bolsonaro), e em 2023 (36 pontos, governo Lula). Desde 2015, o Brasil esteve estagnado abaixo da média global dos países.
Índice de Percepção da Corrupção no mundo em 2025

Ranking dos países com suas pontuações (reprodução)
Os países com as maiores pontuações são Dinamarca (89), Finlândia (88), Singapura (84), Nova Zelândia (81), Noruega (81), Suécia (80) e Suíça (80).
Os países europeus entraram no ranking dos 30 melhores, onde aparecem também Austrália, Estônia, Hong Kong, Canadá, Emirados Árabes Unidos, Japão, Taiwan, Barbados e Estados Unidos.
O Japão (71) fica abaixo do Uruguai (73) e empata com Butão. A vizinha Coreia do Sul (63) foi ultrapassada pela Lituânia (65) e Bahamas (64).
Os Estados Unidos (64) apareceram com baixa pontuação devido ao clima político que vem se deteriorando há mais de uma década, analisou o relatório.
Além disso, afirmou que os dados mais recentes ainda não refletem totalmente os acontecimentos desde que o presidente norte-americano Donald Trump regressou à Casa Branca no ano passado.
E a China? A pontuação foi de 43, pouco acima da média global, atrás de países africanos como Namíbia, Senegal e Benim.
Ucrânia subiu na pontuação
Em relação à Ucrânia (36), o país se empenhou no combate à corrupção, mesmo enfrentando o ataque russo.
Os recentes escândalos na defesa mostram que o país ainda enfrenta um grave problema, mas esses casos foram encaminhados ao julgamento, o que mostrou que um novo quadro anticorrupção do país começou a funcionar.
Corrupção não é inevitável
Quando a corrupção prolifera, quem paga é o povo. Imagine que você é uma mulher quase terminando a faculdade, mas seu professor lhe exige favores sexuais para passar na prova final.
Ou que sua casa está sendo destruída por inundações causadas pela crise climática porque os recursos voltados para a adaptação da infraestrutura relevante foram desviados pelas autoridades.
Ou então, que você tem um filho com uma doença grave, que não está sendo tratada porque você não tem dinheiro para subornar os médicos, ilustra a Transparência Internacional.
“Nossos estudos demonstram que a corrupção não é inevitável. Países cujas pontuações no IPC subiram ao longo dos anos contaram, em larga medida, com esforços contínuos, por parte de líderes políticos e agências reguladoras, para implementar amplas reformas institucionais e jurídicas.
Pontuações consistentemente baixas ou em queda normalmente refletem contextos de limitação ou corrosão do sistema de freios e contrapesos, politização do sistema de justiça, influência indevida no processo político e falta de proteção ao espaço cívico”, analisou a Transparência Internacional.
Fontes: divulgação e DW







