O impacto da crise no Irã deixou de ser apenas um gráfico de queda na Bolsa para se tornar uma realidade amarga nas bombas de gasolina.
Com o petróleo bruto em disparada, postos de combustíveis no Japão já alertam os clientes: o litro da gasolina comum deve romper a barreira histórica dos 200 ienes ainda este mês, forçando o governo a buscar medidas de emergência.
A reação do governo Takaichi
Diante da pressão na Comissão de Orçamento da Câmara, a primeira-ministra Sanae Takaichi tentou transmitir segurança ao mercado e à população. Segundo a líder, o Japão já está trabalhando para diversificar suas fontes de aquisição de petróleo bruto, reduzindo a dependência imediata das zonas de conflito.
“Estamos considerando todas as medidas para estabilizar os preços e garantir que o fornecimento de energia para o nosso país não seja interrompido”, afirmou Takaichi.
Na noite de segunda-feira em Tóquio, a primeira-ministra informou que já instruiu seu gabinete a considerar a extensão dos subsídios de eletricidade e gás, além dos combustíveis. Ela mencionou o uso de fundos de reserva, mas descartou — por enquanto — uma reformulação total do orçamento de 2026.
A “crise dos ¥200” nas bombas
A realidade nos postos de Tóquio, entretanto, é de confusão e apreensão. Avisos afixados repentinamente nesta segunda-feira (9) informam que a gasolina, hoje na casa dos ¥162, sofrerá um salto sem precedentes.
“A situação piora a cada dia. Estamos confusos com a velocidade desse aumento”, desabafa Naoki Saegusa, gerente de uma rede de postos. O salto para a faixa dos 200 ienes é visto como um ponto de ruptura para o consumo doméstico.
Logística em crise: “Dirigir para ter prejuízo”
Se para o cidadão comum o impacto é no lazer e no orçamento mensal, para as empresas de transporte o cenário é de sobrevivência. Em Fukui, transportadoras que consomem milhões de litros de diesel anualmente veem seus custos fixos serem devorados pela alta do petróleo.
A esperança do setor residia na abolição da taxa provisória sobre o diesel, prevista para o próximo mês. No entanto, o disparo do petróleo WTI anulou qualquer perspectiva de alívio. Para o empresário Hideki Fujio, o temor é real: “Seria assustador se os preços futuros continuassem subindo. Podemos chegar a um ponto onde, quanto mais trabalharmos, mais prejuízo teremos“.
O grito das redes sociais
Nas redes sociais, o clima é de revolta. A hashtag #ガソリン200円 (#Gasolina200Ienes) dominou as discussões no Japão. Muitos usuários compartilham fotos dos novos avisos nos postos com comentários sarcásticos e preocupados:
- “Trabalhar apenas para pagar o combustível para ir trabalhar. Esse é o novo Japão?”, escreveu um usuário.
- Outro comentário com milhares de curtidas destacava a contradição política: “Anunciam o fim da taxa provisória em um dia e o preço sobe ¥40 no outro. É como dar um doce e tirar o braço inteiro.” A sensação geral é de que o “custo de vida de ilha” do Japão está se tornando insustentável para a classe média, que depende do carro fora dos grandes centros urbanos como Tóquio e Osaka.
Fontes: FNN, JNN e NHK 


