Um relatório do Congresso dos EUA aponta que a China tem uma base militar secreta no Brasil e cita parcerias no Nordeste com potencial para uso duplo, envolvendo dados de satélite e radioastronomia, ao mesmo tempo que descreve uma rede regional de instalações e alerta para os riscos de influência através da infraestrutura espacial.
Segundo o documento do Comitê Seleto do Partido Comunista Chinês, a estrutura mencionada no país é a Estação Terrestre Tucano, apresentada como resultado de um acordo assinado em 2020 entre a startup brasileira Ayla, identificada no relatório como Ayla Nanosatellites, e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology, do setor aeroespacial.
Essa instalação teria endereço em Salvador, capital da Bahia. A parceria teria sido firmada em 2025 para a colaboração bilateral em pesquisa avançada em radioastronomia.
O empreendimento é acompanhado de perto, segundo o documento, pois “as aplicações tecnológicas mais amplas desses sistemas de observação do espaço profundo podem ter capacidades de uso duplo para inteligência militar”.
De acordo com o Poder 360, “O documento lista a instalação brasileira como ‘não oficial’ e afirma que ela dá a capacidade para a China identificar ativos militares estrangeiros e rastrear objetos espaciais em tempo real no continente sul-americano”.
Laboratório da China na Paraíba
Segundo o jornal Diário da Região, “O relatório menciona a instalação do Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia Tecnologia na Serra do Urubu, na Paraíba.
Trata-se de uma parceria entre o Instituto de Pesquisa em Comunicações da Rede de Ciência e Tecnologia Elétrica da China com a UFCG (Universidade Federal de Campina Grande) e a UFPB (Universidade Federal da Paraíba)”.
A colaboração com a Força Aérea Brasileira (FAB) e o projeto BINGO (Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations) integra algoritmos capazes de categorizar sinais de interesse para a defesa da China.
Importância para a China
Esse relatório dos Estados Unidos ainda aponta que a China tem pelo menos 10 bases secretas na América do Sul, sendo 2 na Venezuela, 2 na Bolívia, 4 no Chile e uma na Argentina.
Para a China, a localização da América Latina é insubstituível. Ao contrário das potências ocidentais com redes globais consolidadas, Pequim tinha lacunas em sua cobertura que limitavam o rastreamento de satélites concorrentes.
Acordos com governos da região preencheram essa lacuna, garantindo vigilância constante e em tempo real à medida que os ativos espaciais transitam pelo Hemisfério Ocidental.
Fachada “civil” do uso militar
Embora os projetos sejam promovidos como iniciativas de monitoramento ambiental, educação ou comunicação, a realidade técnica aponta para um uso duplo.
Os contratos permitem que organizações como a Administração Espacial Nacional da China operem sistemas avançados que são, em última instância, supervisionados pelos militares chineses.
Essa ambiguidade permite que centros acadêmicos e radiotelescópios astronômicos acabem fortalecendo a coleta de informações de inteligência para a defesa.
Segundo o relatório americano, a capacidade da China de rastrear mísseis e coletar informações da América Latina altera o equilíbrio global de poder.
Essas bases fornecem ao Exército de Libertação Popular os dados necessários para identificar, monitorar e potencialmente neutralizar sistemas pertencentes a potências rivais.
Ao utilizar frequências semelhantes às dos sistemas de defesa dos EUA, o risco de sabotagem ou vigilância não detectada aumenta consideravelmente.
Destaca ainda que a falta de transparência nos acordos e a dependência tecnológica geraram intensos debates sobre a soberania nacional nos países anfitriões.
Recomendações internacionais sugerem a implementação de auditorias técnicas rigorosas e controles legais estritos para impedir que a infraestrutura científica seja usada como arma de guerra pelo regime chinês.
A publicação do relatório intensificou a atenção sobre o tema justamente por envolver um setor onde as fronteiras entre uso civil e militar podem ser tênues, especialmente quando as mesmas antenas e redes de comunicação atendem a múltiplos clientes, missões e constelações.
Fontes: Poder 360, KCH, CPG e Diário da Região 


