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Economia

Crise no Oriente Médio ameaça o coração da indústria automotiva do Japão

Além da redução da produção na indústria automotiva, os fornecedores de autopeças também amargam uma dura realidade com o conflito no Irã.

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Redação

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Produção de carros e autopeças: desafios com a crise no Oriente Médio.
Foto meramente ilustrativa de uma linha de montagem de veículos (PM)

A escalada do conflito envolvendo o Irã e as interrupções logísticas no Estreito de Ormuz acenderam um alerta vermelho no Japão.

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O impacto já é sentido em dois pilares fundamentais: na exportação de veículos da indústria automotiva e na importação de matérias-primas essenciais para a fabricação de autopeças.

O peso do mercado: 2,5 trilhões de ienes em risco

Koji Sato, presidente da Toyota Motor e da Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis (JAMA), destacou que o Oriente Médio é o terceiro mercado mais importante para o Japão, atrás apenas da América do Norte e da Ásia.

  • Volume de exportação: cerca de 820 mil veículos são enviados anualmente para a região, representando 14% do total das exportações automobilísticas do país.
  • Impacto financeiro: a interrupção desses negócios coloca em risco uma receita estimada em 2,5 trilhões de ienes para a indústria automotiva.
  • Bloqueio logístico: o atraso nas entregas já é uma realidade, visto que muitos navios estão impossibilitados de transitar com segurança por rotas vitais.

Crise dos materiais: alumínio e nafta

A maior preocupação de Koji Sato, no entanto, é o fornecimento de insumos. A indústria japonesa é extremamente dependente do Oriente Médio para a base de sua manufatura.

  • Alumínio: aproximadamente 70% do alumínio utilizado em motores e rodas japonesas vem da região.
  • Nafta: subproduto essencial do petróleo, a nafta é a base para a produção de plásticos e componentes sintéticos presentes em quase todo o veículo, afetando as indústrias de autopeças.
  • Busca por alternativas: as indústrias automobilísticas já tentam traçar rotas e fornecedores alternativos, mas Sato admite que a eficácia dessas medidas dependerá da duração da crise.

Impacto na ponta: o drama das pequenas indústrias de autopeças

O reflexo da guerra chega rápido ao chão de fábrica das pequenas e médias empresas (PMEs). Um exemplo é a Sahashi Kogyo, fabricante de suportes de motor e peças de borracha em Aichi.

  • Linhas paradas: pela primeira vez desde a pandemia, a empresa precisou desligar máquinas que operavam em plena capacidade. Cerca de 5% da produção foi interrompida abruptamente.
  • Prejuízo em escala: com a suspensão de pedidos para a Arábia Saudita e Emirados Árabes, a estimativa é de uma perda de 100 milhões de ienes em receita se a paralisação durar um mês.
  • Estoque acumulado: peças que normalmente não ficariam mais de três dias no pátio agora se acumulam, forçando ajustes diários para evitar cortes de pessoal e garantir o pagamento dos salários.

“A produção finalmente estava se recuperando após a COVID-19. Isso foi uma surpresa completa,” lamentou Jun Kobayashi, presidente da Sahashi Kogyo.

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Indicador Impacto Estimado
Exportações anuais 820 mil veículos (14% do total)
Valor de mercado em risco ¥ 2,5 trilhões
Dependência de Alumínio/Nafta 70% proveniente do Oriente Médio
Perda potencial (PMEs) ¥ 100 milhões/mês (ex: Sahashi Kogyo)
Fontes: NNN, FNN e Nishi Nippon

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