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Dólar sobe e petróleo dispara com ataque militar ao Irã; Japão em alerta

O Japão está em alerta para crise energética, especialmente por causa do efeito duplo, do petróleo mais caro e iene mais fraco.

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Redação

Atualizado em 03/03/2026

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Konishi Sangyo - Empregos no Japão
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Imagem ilustrativa de aumento do preço do petróleo (PM)

O preço do petróleo no mercado internacional disparou na manhã de segunda-feira (2), no horário de Brasília, primeiro dia útil após a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, um fator preocupante para o Japão.

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Pouco depois das 12h, o contrato futuro do petróleo tipo Brent, referência global, era negociado em Londres perto de US$ 79 o barril, uma alta de cerca de 7,6%. Já o WTI, negociado em Nova Iorque, cotava-se a pouco mais de US$ 71 o barril, salto de cerca de 6%.

Impacto no Japão e o fator cambial 

A fragilidade da economia japonesa ficou em evidência com o câmbio atingindo 157,45 ienes frente ao dólar na madrugada de terça-feira (3). Como o Japão é um dos maiores importadores de energia do mundo, o cenário é de alerta máximo.

Setores de transporte e logística do Japão já reportam preocupação extrema. A combinação de um iene desvalorizado (que encarece as importações) com a disparada global do preço do petróleo cria uma pressão inflacionária dupla.

Para o Japão, não se trata apenas do preço da commodity, mas da desvalorização da moeda local frente ao dólar, o que torna o custo de combustível e energia proibitivo para muitas transportadoras. 

“Considerávamos baixa a probabilidade de um aumento da taxa de juros japonesa em março ou abril, mas com a crescente incerteza ligada aos acontecimentos no Oriente Médio, o Banco do Japão (BoJ) provavelmente adotará uma postura mais cautelosa, reduzindo a probabilidade de aumentos de juros no curto prazo”, segundo analistas do Morgan Stanley e do MUFG, que escreveram em um relatório de pesquisa conjunto.

O economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco de crédito Austin Rating, explicou à Agência Brasil que o Estreito de Ormuz é a principal rota global para o transporte de petróleo vindo do Irã, Arábia Saudita, Iraque, grandes produtores da commodity (matéria-prima negociada em grandes quantidades e preços internacionais).

O impacto chega rápido à ponta final: o encarecimento do frete interno e dos custos operacionais das empresas de logística deve ser repassado ao consumidor, elevando o preço de produtos básicos e manufaturados, o que pode comprometer a recuperação do consumo interno japonês.

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De acordo com analistas, a alta do petróleo reflete a tensão no Estreito de Ormuz, passagem marítima ao sul do Irã por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

“É o principal fator que faz o preço explodir. Com o estreito comprometido, a oferta cai e os preços sobem quase que de forma imediata”, afirma Sartori. No sábado (28), houve relatos de centenas de embarcações ancoradas sem conseguir atravessar a via.

Riscos e perspectivas 

O gerente da tesouraria do Banco Daycoval, Otávio Oliveira, frisa que a preocupação global não é com a produção, mas com a logística.

Embora a Opep+ tenha anunciado o aumento da produção para garantir a oferta, a interrupção física do tráfego no estreito criaria uma “bagunça” nas cadeias produtivas globais.

“Um conflito prolongado forçará um repasse de custos em toda a cadeia”, projeta Sartori, alertando que, caso a guerra dure, o mundo deverá enfrentar um “repique na inflação”, com o Brasil sentindo o impacto indireto pela importação de derivados de petróleo mais caros e o Japão sofrendo com a pressão estrutural sobre sua balança comercial e poder de compra.

Fontes: Agência Brasil e Economies

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