Apesar da suspensão temporária dos ataques anunciada pelo presidente Donald Trump, o clima no Oriente Médio está longe de ser pacífico. Novos relatórios indicam que o Irã não está apenas à espera do fim do prazo de 6 de abril; o país posicionou-se para o que chama de “guerra de resistência total”, no domingo (29).
Os cerca de 3,5 mil fuzileiros navais enviados pelos Estados Unidos, a bordo do navio de guerra USS Tripoli, chegaram ao Oriente Médio, segundo a BBC.
No sábado (28), completou um mês desde o primeiro ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde então, o Estreito de Ormuz, um dos mais importantes canais de transporte do mundo, está fechado por Teerã.
Durante a “trégua de 10 dias”, Irã e Israel continuam se atacando.
“Prontos para o pior”: a reação do Irã
Teerã afirmou estar totalmente preparado para reagir a qualquer ofensiva terrestre dos Estados Unidos. No domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os Estados Unidos estão planejando um ataque terrestre, apesar de estarem publicamente empenhados em esforços diplomáticos para pôr fim à guerra.
- Mobilização militar: fontes ligadas à Guarda Revolucionária sugerem que Teerã reforçou as suas defesas costeiras e sistemas de mísseis.
- A estratégia: Teerã sinaliza que não aceitará as condições de Washington “sob mira de armas” e que qualquer tentativa de invasão terrestre transformará a região num cenário de conflito prolongado e dispendioso para os Estados Unidos.
Impacto global: o que está em jogo?
A análise da BBC destaca que este conflito já ultrapassou as fronteiras do Oriente Médio, e continua afetando diretamente a economia e a diplomacia mundial.
- Preços da energia: o mundo vive uma “montanha-russa” no preço do petróleo. Embora a trégua de 10 dias tenha dado um alívio momentâneo, a ameaça de bloqueio no Estreito de Ormuz mantém o mercado em alerta máximo.
- Diplomacia em crise: a posição de Trump de “não precisar da OTAN” e agir de forma isolada está a criar fissuras nas alianças tradicionais do Ocidente, deixando países dependentes de energia (como o Japão) numa posição extremamente vulnerável.
O “X” da questão: negociação ou ameaça?
Enquanto Trump afirmou no Truth Social que as negociações “vão muito bem”, o discurso oficial do Irã é de desafio. Essa desconexão sugere duas possibilidades:
- Existe uma negociação secreta via Paquistão que o Irã não quer admitir publicamente para não parecer fraco.
- A trégua é apenas um movimento estratégico de ambos os lados para se rearmarem antes do prazo final de 6 de abril.
Enquanto houver ameaça de guerra terrestre, o dólar continuará a ser o refúgio dos investidores, mantendo o iene desvalorizado (na casa dos ¥160).
Fontes: NHK, BBC, Al Jazeera e Poder 360 


