O Japão tomará medidas para se preparar para todo e qualquer risco à medida que as forças dos EUA e de Israel lançam ataques contra o Irã, afirmou a primeira-ministra Sanae Takaichi em uma publicação no X no sábado (28).
Como resposta imediata, o governo trabalhará para proteger os cidadãos japoneses que vivem no Oriente Médio. Com a expectativa de que a situação na região se deteriore ainda mais, o país vai cooperar com nações parceiras para minimizar o impacto na economia e na segurança.
Na noite de sábado, o governo realizou uma reunião do Conselho de Segurança Nacional no Gabinete do Primeiro-Ministro, com a presença de Takaichi, do ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, do ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, e de outros membros, para discutir medidas futuras.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, cerca de 200 cidadãos japoneses estão no Irã, mas nenhum ferimento ou fatalidade foi relatado até o momento.
Anteriormente, Takaichi disse a repórteres no Gabinete do Primeiro-Ministro que instruiu as agências governamentais relevantes a coletar informações minuciosamente.
Ela também ordenou que confirmassem e garantissem a segurança dos japoneses não apenas no Irã e em Israel, mas também em países como Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos, além de avaliar a situação das rotas marítimas e aéreas como potenciais rotas de fuga.
Takaichi também solicitou uma avaliação do impacto econômico esperado. Ela se recusou a fornecer sua avaliação pessoal sobre os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
Gestão de Crise e Impacto no Transporte
Após o primeiro relato dos ataques, o governo estabeleceu um escritório de ligação de informações sobre a situação iraniana no centro de gestão de crises do Gabinete do Primeiro-Ministro.
No sábado, o ministério alertou os cidadãos japoneses no Oriente Médio para que se mantenham afastados das bases militares dos EUA na região e que evacuem cedo, em preparação para possíveis cancelamentos de voos comerciais.
A Japan Airlines anunciou que cancelará os voos entre o Aeroporto de Haneda (Tóquio) e Doha até terça-feira.
A empresa afirmou que dará prioridade máxima à segurança dos passageiros e da tripulação, decidindo os planos de voo com base nas informações mais recentes de organizações internacionais e autoridades.
A Nippon Yusen suspendeu temporariamente a passagem de seus navios pelo Estreito de Ormuz, informou um porta-voz.
A Kawasaki Kisen Kaisha instruiu seus navios no Golfo Pérsico a permanecerem em estado de espera, segundo um porta-voz. Já a Mitsui OSK Lines ordenou que suas embarcações aguardem em águas seguras.
Dilemas Diplomáticos e Energéticos
Enquanto isso, o secretário-geral do Gabinete, Minoru Kihara, enfatizou no domingo (1º) a oposição do Japão ao programa de desenvolvimento de armas nucleares do Irã, indicando certa compreensão em relação aos ataques dos EUA e Israel.
Ele não comentou diretamente as ações militares das duas nações.
O Japão depende do Oriente Médio para mais de 90% de suas importações de petróleo bruto, o que torna a segurança das rotas marítimas vital. A turbulência na região também pode levar a um declínio relativo no engajamento dos EUA na segurança do Leste Asiático.
O Japão tem mantido relações amistosas com o Irã, o que o coloca em um dilema entre seus próprios interesses e os de seu aliado, os EUA. Takaichi poderá enfrentar dificuldades para articular a posição oficial do Japão sobre o ataque.
Fonte: JT



