A visão de Niall Ferguson (um dos historiadores econômicos mais respeitados do mundo) é o “balde de água fria” que faltava para completar o cenário de crise.
Enquanto os políticos falam em tréguas, Ferguson olha para os dados históricos e faz um alerta sombrio: estamos diante da maior disrupção energética em pelo menos 50 anos.
O historiador Niall Ferguson, em análise para a The Free Press e repercutida pela Infobae, alerta que a crise atual no Oriente Médio não é apenas um “conflito passageiro”, mas sim o gatilho para a maior crise energética desde os anos 70.
Tamanho do buraco: 10 milhões de barris a menos
Niall Ferguson destaca que o fechamento do Estreito de Ormuz retirou do mercado 10% da oferta global de petróleo (cerca de 10 milhões de barris por dia).
- O pior cenário: mesmo que Trump e o Irã cheguem a um acordo, a normalização total do mercado levaria pelo menos quatro meses.
- Danos estruturais: instalações críticas, como a planta de gás do Catar, podem levar até cinco anos para serem totalmente reparadas após os recentes ataques.
A lição de 1973: a história se repete?
Ferguson faz uma comparação direta com a crise do petróleo de 1973. Naquela época, o apoio militar dos EUA a Israel gerou um embargo árabe que quadruplicou os preços.
- O padrão: crises energéticas explicam quase metade de todas as recessões dos últimos 300 anos.
- Efeito dominó: o aumento do combustível reduz o consumo das famílias, atrasa a compra de bens (como carros e imóveis) e faz as empresas pararem de contratar.
“Tempestade perfeita” de 2026
Diferente de crises anteriores, Niall Ferguson aponta que agora temos três fatores explosivos ocorrendo ao mesmo tempo:
- Crise energética brutal: a maior disrupção de oferta em décadas.
- Sistema de crédito frágil: setor privado global está altamente endividado.
- Mercado de trabalho enfraquecido: a criação de empregos está concentrada quase apenas no setor de saúde, escondendo a fraqueza de outros setores.
Niall Ferguson é conhecido por não ser alarmista sem fundamentos. Quando ele diz que “os indicadores antecipam o ingresso iminente em uma nova recessão”, ele está olhando para os 300 anos de dados que ele estuda.
Fonte: Infobae 


