Com o Estreito de Ormuz bloqueado de fato, o governo do Japão iniciou uma ofensiva em duas frentes: garantir que não falte combustível nas bombas e impedir que o preço destrua o orçamento das famílias.
A primeira-ministra Sanae Takaichi e a ministra das Finanças Satsuki Katayama anunciaram medidas drásticas na terça-feira (24).
Abertura das reservas estratégicas
Pela primeira vez em décadas, o Japão está usando todos os seus “estoques de segurança” simultaneamente para compensar a falta de petróleo do Oriente Médio.
- Reservas nacionais: a partir de 26 de março, serão liberados 51 milhões de barris (equivalente a um mês de consumo) de 11 bases gigantescas, como as de Ehime e Hokkaido.
- Reservas privadas: o setor privado já está liberando estoques equivalentes a 15 dias de consumo, desde 16 deste mês.
- Reservas conjuntas (inédito): pela primeira vez na história, o Japão liberará petróleo de uma reserva conjunta mantida com os Emirados Árabes e o Kuwait.
- Refino imediato: o governo do Japão já fechou contratos com as gigantes ENEOS, Idemitsu, Cosmo e Taiyo Oil para que esse petróleo chegue ao mercado já refinado como gasolina o mais rápido possível.
O fôlego do Japão: quanto tempo duram as reservas?
A estratégia do governo Takaichi é criar uma “ponte de suprimentos” até que as rotas alternativas (EUA e América do Sul) se tornem regulares.
| Fonte da Reserva | Quantidade Liberada | Duração Estimada (Consumo Total) | Status |
| Reserva Privada | Equivalente a 15 dias | 15 dias | Já em liberação (desde 16/03) |
| Reserva Nacional | 51 milhões de barris | ~14.5 dias | Início em 26/03 |
| Reserva Conjunta (EAU/Kuwait) | 5 dias de produção | 5 dias | Até o final de março |
| TOTAL COMBINADO | Cerca de 120 milhões de barris | ~34 dias | Fôlego Total de 1 Mês |
O Japão tem combustível garantido para pouco mais de um mês de consumo normal usando apenas as reservas. O governo está ‘queimando’ esse estoque agora para ganhar tempo e trazer petróleo de países que não dependem do Estreito de Ormuz. É uma corrida contra o relógio: ou a diplomacia funciona em 30 dias, ou o país terá que mudar drasticamente sua rotina de transporte.
Rotas alternativas: o desvio de Ormuz
Como 90% do petróleo japonês passava pelo Estreito de Ormuz, o país corre contra o tempo para mudar a logística.
- O navio da esperança: no dia 28, um navio-tanque vindo do Mar Vermelho (Arábia Saudita) deve chegar ao Japão, tendo contornado o ponto de conflito (leia essa matéria).
- Novos parceiros: o Japão busca agora substituir o Irã por fornecedores nos EUA, América do Sul e Ásia Central.
O “estouro” do orçamento e o subsídio aos combustíveis
A situação financeira é tão tensa quanto a logística. O fundo usado para subsidiar o preço da gasolina está quase esgotado devido à alta internacional.
- Injeção de ¥800 bilhões: a ministra Satsuki Katayama anunciou o uso de fundos de reserva adicionais para manter os preços controlados (subsídios às companhias petrolíferas).
- Orçamento provisório (raro): Pela primeira vez em 11 anos, o governo prepara um “orçamento de emergência” de 11 dias (de 1º a 11 de abril) para garantir que o país não pare enquanto o orçamento principal de 2026 termina de ser votado.
O que isso significa para o Japão?
- Abastecimento: o risco de faltar gasolina nos postos diminui com a liberação das reservas, mas o governo pede consumo consciente.
- Preço: sem os ¥800 bilhões injetados pela ministra Katayama, o preço da gasolina poderia disparar imediatamente. O subsídio serve como um “amortecedor” para o seu bolso.
- Estabilidade: o uso do orçamento provisório mostra que o governo está priorizando a manutenção da economia acima das disputas políticas na Dieta (Parlamento).
Fontes: Nikkei, Tokyo Shimbun e JNN 


