O retorno do feriado prolongado foi marcado por um cenário de terra arrasada na Bolsa de Valores de Tóquio na segunda-feira (23). O ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que ameaçou [no sábado] atacar usinas iranianas caso o Estreito de Ormuz não seja liberado em 48 horas —, disparou um efeito dominó que atingiu as ações, a moeda e os títulos públicos japoneses.
O tombo do índice Nikkei: perda de 2,6 mil pontos
A incerteza sobre o fornecimento de petróleo bruto fez o índice Nikkei em Tóquio despencar mais de 2,6 mil ienes logo na abertura.
- Fechamento em Tóquio: o índice conseguiu uma leve recuperação no fim do dia, fechando em 51.515,49 ienes (queda de ¥1.857,04 em relação ao pré-feriado).
- Contágio asiático: o pessimismo não ficou restrito ao Japão; Coreia do Sul e outros mercados dependentes de energia importada também registraram quedas acentuadas.
Iene sob pressão e a ameaça da inflação
O Japão enfrenta agora o fantasma da estagnação com inflação. Como o país importa quase todo o seu combustível, a alta do petróleo exige mais dólares para pagamento, desvalorizando o iene.
- Cotação: o iene caiu para a casa dos 159,6 por dólar. Contra o euro, a queda foi ainda mais brusca, atingindo o patamar de 184 ienes.
- Juros em alta: pela primeira vez em dois meses, o rendimento dos títulos públicos de 10 anos superou 2,3%, refletindo o medo de que a inflação saia do controle.
Conflito no Irã e o governo japonês
O mercado entrou em modo de “espera tensa” devido ao prazo estabelecido por Washington. O Irã já prometeu bloquear totalmente o Estreito de Ormuz caso seja atacado, o que paralisaria o fluxo de energia global.
Diante do caos, o Ministro das Finanças, Atsushi Mimura, tentou acalmar os investidores, afirmando que o governo está monitorando “movimentos especulativos” e que tomará todas as precauções necessárias para proteger a economia e a vida das pessoas.
Entenda a “tripla queda” de segunda-feira em Tóquio
O mercado japonês sofreu o que os analistas chamam de tempestade perfeita.
- Venda de ações: investidores fogem do risco devido à incerteza da guerra.
- Venda de títulos: o medo da inflação faz os investidores se livrarem de papéis do governo.
- Venda de iene: a necessidade de comprar dólares para pagar o petróleo caro enfraquece a moeda local.
O “fator Trump” e a trégua de 5 dias
Enquanto os índices despencavam, uma publicação do presidente Donald Trump trouxe um breve alívio para o mercado, para terça-feira (24).
Trump afirmou que as conversas com Teerã foram “muito boas e produtivas” e que, por isso, adiou qualquer ataque militar por cinco dias. Segundo o presidente, os EUA buscam uma “resolução completa e total” das hostilidades, sinalizando que a infraestrutura energética iraniana pode ser poupada se as negociações avançarem ao longo da semana.
O balde de água fria de Teerã
A euforia durou pouco. O governo do Irã apressou-se em negar qualquer acordo ou trégua oficial, mantendo a retórica de que bloqueará o Estreito de Ormuz caso as sanções e ameaças não cessem.
O que isso significa para o mercado?
- Volatilidade pura: o mercado em Tóquio reagiu com uma “recompra técnica” (quando investidores compram ações que caíram muito, esperando a subida), mas o iene continua fraco.
- O “prazo de 5 dias”: agora, Tóquio tem um novo cronômetro. Se nada concreto acontecer nesse período, a “tripla queda” pode se intensificar na próxima semana.
Fontes: NHK e NNN 


