O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua retórica contra Cuba na segunda-feira (16), afirmando que esperava ter a “honra” de “tomar Cuba de alguma forma” e que poderia “fazer o que quiser” com o país vizinho.
As declarações ameaçadoras surgem em um momento em que Cuba e os Estados Unidos iniciaram conversações para melhorar suas relações, historicamente adversas e que atingiram um dos pontos mais contenciosos nos 67 anos desde que Fidel Castro derrubou o que havia sido um aliado próximo dos EUA.
Trump reiterou sua crença de que teria a “honra de tomar Cuba”, enquanto a ilha enfrenta uma crise econômica sem precedentes, agravada por um bloqueio de petróleo imposto pelos EUA após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolas Maduro.
Exigência de mudança no governo cubano
Após as declarações de Trump, o jornal The New York Times noticiou que a remoção do presidente cubano Miguel Diaz-Canel do cargo é um objetivo-chave dos EUA nas negociações bilaterais.
Citando quatro fontes familiarizadas com as conversas, o jornal informou que os americanos sinalizaram aos negociadores cubanos que Diaz-Canel deve sair, mas estão deixando os próximos passos a cargo dos cubanos.
Cuba tem tradicionalmente rejeitado qualquer interferência em seus assuntos internos e considera qualquer proposta nesse sentido um fator de ruptura para qualquer acordo.
Miguel Diaz-Canel, 65, que sucedeu o falecido Fidel Castro e seu irmão Raul Castro como presidente em 2018, afirmou na sexta-feira que esperava que as conversações com os Estados Unidos ocorressem “sob os princípios de igualdade e respeito pelos sistemas políticos de ambos os países, soberania e autodeterminação”.
Escalada da pressão e consequências
Contudo, Donald Trump, após remover Nicolas Maduro do poder e se juntar a Israel no ataque ao Irã, tem abertamente especulado que Cuba seria a “próxima”.
Ele aumentou a pressão ao interromper todos os carregamentos de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçar impor tarifas a qualquer país que venda petróleo à ilha.
Como resultado, Cuba afirma não ter recebido um carregamento de petróleo em três meses, e o país impôs um severo racionamento de energia, resultando em longos apagões.
Grande parte de sua economia parou. Na segunda-feira, a rede elétrica de Cuba colapsou, deixando o país de 10 milhões de pessoas sem energia.
No domingo, Donald Trump disse a repórteres a bordo do Air Force One: “Estamos conversando com Cuba, mas faremos o Irã antes de Cuba”.
Embora mais de uma dúzia de presidentes dos EUA, ao longo de décadas, tenham se oposto ao governo comunista de Cuba e criticado seu histórico de direitos humanos, Washington honrou sua promessa de não invadir Cuba ou apoiar uma invasão como parte do acordo com a União Soviética para resolver a crise dos mísseis cubanos de 1962.
A Casa Branca ainda não detalhou a base legal para qualquer possível intervenção em Cuba. O governo cubano não respondeu a um pedido de comentário.
Fonte: ST



