A União Europeia (UE) realizou sua primeira visita parlamentar à China em oito anos, aproveitando a oportunidade para desafiar Pequim sobre o crescente número de produtos potencialmente perigosos que chegam ao bloco e a insuficiente abertura do mercado chinês.
A visita de três dias, iniciada na terça-feira (31), ocorre logo após o acordo da UE para reformar seu sistema alfandegário.
Esta reforma inclui medidas mais rigorosas contra plataformas de e-commerce, predominantemente chinesas, que podem enfrentar multas significativas pela venda de produtos ilegais ou inseguros dentro da UE.
Atualmente, encomendas avaliadas em menos de €150 são isentas de direitos aduaneiros, uma brecha que impulsionou o rápido crescimento de plataformas de venda direta ao consumidor como Shein, Temu e AliExpress.
Diplomacia e o histórico de sanções
Uma delegação de nove membros, liderada por Anna Cavazzini, presidente do comitê de Mercado Interno e Proteção do Consumidor, manteve discussões com altos funcionários do órgão regulador de mercado da China e membros do Congresso Nacional do Povo em Pequim, conforme atualizações publicadas no X do comitê da UE.
Pequim acolheu o engajamento, vendo-o como uma chance de estabilizar as relações bilaterais.
Isso ocorre após a decisão da China no ano passado de suspender sanções contra vários legisladores da UE, um movimento amplamente interpretado como um esforço para mitigar as crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos.
A China havia imposto sanções a 10 indivíduos e quatro entidades da UE em 2021, em retaliação às sanções de Bruxelas contra autoridades chinesas por supostas violações de direitos humanos em Xinjiang.
Segurança do consumidor e desafios do e-commerce
A delegação da UE levantou uma ampla gama de preocupações com os legisladores chineses, incluindo segurança do consumidor e do produto, trabalho forçado, proteção de menores online e o acesso de empresas da UE ao mercado chinês.
Em uma reunião com a Administração Estatal Chinesa para Regulamentação do Mercado, os legisladores expressaram suas preocupações com o “alto influxo de produtos perigosos e não conformes vindos da China”.
Eles também discutiram áreas de interesse e cooperação, como a responsabilidade dos mercados online e a promoção da concorrência justa.
O bloco de 27 nações busca coordenar a cobrança de impostos e as verificações de segurança, enquanto se esforça para gerenciar o alto volume de encomendas de e-commerce de baixo valor que entram no bloco, com o total atingindo 5,8 bilhões em 2025.
A UE estima que mais de 90% desses pacotes vêm da China.
Fonte: The Independent



